Matéria publicada no Jornal Valeparaibano em 9 de setembro de 2009

 JORNAL VALEPARAIBANO

Quarta-feira, 09 de Setembro de 2009

 Artigo Cerimonial é coisa séria – Eliane Ubillús

  • No cerimonial de hoje não há tempo para deslumbres. O cerimonialista, além de ter que estar preparado intelectualmente e dominar pelo menos um idioma a mais que o seu, deverá ter o raciocínio rápido e um perfeito equilíbrio emocional para poder preparar e conduzir um ato. Ser absolutamente discreto, responsável e tolerante é condição indispensável. Outro ponto, de expressiva atenção, é cuidar da saúde e ter significativo preparo físico, já que passamos horas seguidas de pé. Durante o trabalho, jamais temos direito a demonstrar o que sentimos. Dores, tristezas, angústias, problemas pessoais e financeiros são para depois do trabalho. Seguidas vezes deixamos de comer algo que gostamos muito porque aquele alimento poderá causar mal estar; em outras, sequer comeremos porque simplesmente, não nos sobra tempo. Para uma impecável conduta profissional, o cerimonialista deve buscar saber e conhecer tudo. Mais que possuir uma formação cultural sólida deve ter conhecimentos sobre comidas nacionais e internacionais, bebidas e coquetéis (que muitas vezes são representativos de uma região ou de um país), estar em dia com as notícias de última hora, com o câmbio do dia, com a situação política nacional e internacional, enfim terá que saber de tudo ainda que jamais necessite de algumas informações, porém deve tê-las na memória.

    Buscar a excelência profissional é o princípio. Honrar questões, relacionadas com a deontologia, é um dever. Não é necessário que exista um código de ética para ler todos os dias. Isto deve estar intrínseco em cada um de nós. A urbanidade, o saber estar e circular não valerão nada se não houver ética.

    O grande “fantasma” do cerimonial é a precedência. Esta precedência, tão necessária em todos os aspectos do cerimonial, sinaliza o respeito de acordo com a importância das pessoas, das bandeiras, dos brasões, dos hinos, etc.

    Nunca podemos esquecer de que, por trás da boa imagem de uma autoridade, de um evento social, de uma empresa, de uma cidade ou de um país há sempre, nos bastidores, um anônimo que é o cerimonialista e este deve primar pela ética, sabedoria, competência, lealdade, respeito e dignidade.

    Não se cria um cerimonialista da noite para o dia. Para trabalhar na atividade temos que estudar, pesquisar, participar de congressos sobre o tema e ainda trocar idéias com os mestres no assunto. Lamentavelmente, no Brasil, ainda não há uma escola de cerimonial, mas o Comitê Nacional do Cerimonial Público, preocupado com a questão, está trabalhando neste sentido.

    Há 15 anos, trabalhando no Codivap, 11 dos quais, como voluntária, aprendi muito. A multiculturalidade existente, ainda que dentro de uma só região, tem gerado momentos e vivências das mais interessantes. Este aprendizado agregou expressivo valor a minha bagagem cultural cerimonialística. Levar o nome do Codivap, de forma positiva, para os jornais da Europa e também de países da América do Sul e do Norte é motivo de orgulho. O nosso Vale do Paraíba está presente em todos os cantos do mundo não apenas pela grandiosidade de sua indústria e pela beleza de suas paisagens, mas também através do cerimonial do Codivap.

    A presença do nosso Vale é mais forte ainda quando, num dos vôos pela Europa, entro num avião da Embraer. É uma sensação indescritível e emocionante! O sucesso é de todos nós!

Eliane Ubillús é Chefe do Cerimonial do Codivap, vice-presidente da Organización Internacional de Ceremonial y Protocolo e do Comitê Nacional do Cerimonial Público

Deixe um comentário