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Considerações sobre a Bandeira do MERCOSUL

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
 

Considerações sobre a Bandeira do MERCOSUL

 A Bandeira do MERCOSUL foi hasteada pela primeira vez no Brasil em 9 de julho de 2004 quando nosso país assumiu a presidência pelos 6 meses regulamentares. De um lado é escrita em português MERCOSUL e do outro em espanhol, MERCOSUR . Pudemos verificar isso na bandeira hasteada no Itamaraty, em Brasília.

A Lei 12 157, de 23 de dezembro de 2009,  modificou o artigo 13 da Lei 5700,  e passou a ser obrigatório  o hasteamento da bandeira do MERCOSUL junto a Bandeira Brasileira nos lugares citados no artigo.

Até a data em que escrevemos este artigo, não foi recomendada nem regulamentada e precedencia desta bandeira que, na nossa ótica, poderá ser de duas formas:  ter a segunda precedência (quando colocada logo após a do Brasil) ou ocupar a quarta precedência no caso de quatro bandeiras, (inclusive a do MERCOSUL) como é usado na Espanha, com a bandeira da União Européia. 

 1ª opção: 3- Estado 1 Brasil   -  2 MERCOSUL -  4 Município

2ª opção :  3Município -  1 Brasil  -  2Estado  - 4MERCOSUL

Nossa preferência é pela segunda opção já que a bandeira do MERCOSUL representa uma organização. Neste caso, a precedência seria como a de uma entidade. 1º Brasil, 2º Estado, 3º Município e 4º MERCOSUL.

O colega Fredolino David tem a mesma opinião e nos enviou um e-mail que diz:

“Enquanto não for regulamentada, sou de opinião seguir os parâmetros internacionais, ou seja, depois das unidades da Federação. Conforme o artigo 18, bem como inúmeras outras citações da Constituição Federal, são unidades da República Federativa do Brasil, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios”.

A liguagem cênica, quanto à disposição de bandeiras com este critério de precedência estaria dizendo-nos: Somos o Brasil, estamos no Estado…., no município…..e pertencemos à organização “MERCOSUL”.

Nos eventos da organização, teria a primeira precedência.

  Lembramos aos colegas que o artigo 13 não obriga o uso da Bandeira Brasleira em todas as situações portanto, a do MERCOSUL seguirá o mesmo procedimento.

       Art. 13.  Hasteia-se diariamente a Bandeira Nacional e a do Mercosul:                                 

        I – No Palácio da Presidência da República e na residência do Presidente da República;

        II – Nos edifícios-sede dos Ministérios;

        III – Nas Casas do Congresso Nacional;

        IV – No Supremo Tribunal Federal, nos Tribunais Superiores, nos Tribunais Federais de Recursos e nos Tribunais de Contas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; (Redação dada pela Lei nº 5.812, de 13.10.1972)

        V – Nos edifícios-sede dos poderes executivo, legislativo e judiciário dos Estados, Territórios e Distrito Federal;

        VI – Nas Prefeituras e Câmaras Municipais;

        VII – Nas repartições federais, estaduais e municipais situadas na faixa de fronteira;

        VIII – Nas Missões Diplomáticas, Delegações junto a Organismo Internacionais e Repartições Consulares de carreira, respeitados os usos locais dos países em que tiverem sede.

        IX – Nas unidades da Marinha Mercante, de acordo com as Leis e Regulamentos da navegação, polícia naval e praxes internacionais.

Comentando:

             Na  Europa, a Bandeira da União Européia é vista com bastante frequencia. Esta lingagem cênica, de certa maneira fortalece, ou pelo menos tenta trasmitir, a união daqueles países. Acreditamos que por aqui também possamos seguir o exemplo, não por simples imitação mas reconhecendo que o uso do vexilo, representativo de uma organização, é uma prática que vem de muitos anos nas mais diversas civilizações.

              Discutir se a Lei deve ser respeitada também não é nosso propósito corforme o artigo do Mesa-redonda 7, do colega Hugo de Faria Almeida, nós cerimonialistas devemos  cumprir o que nos é apresentado na forma da Lei, de Decretos, regulamentos regimentos, assentos etc.

Dentro do contexto do aparecimento da lei, nos sentimos no direito de comentar sobre alguns aspetos. Confome comentário do cerimonialista Luis Fernando Ribeiro Soutelo, houve um grande equívoco quando os legisladores aprovaram o Projeto que deu origem à Lei 12 157, que modificou o artigo 13 da Lei 5700, já  que esta última, regulamenta os Simbolos Nacionais Brasileiros e a Bandeira do MERCOSUL não é um Símbolo Nacional Brasileiro portanto não deveria estar no mesmo regulamento. A União Européia, não obriga ninguém a usar sua bandeira. Apenas existe a recomendação, de parte da Comissão Européia, que a bandeira fosse usada nas fronteiras exteriores e nos edifícios das intituiçoes da UE e que os Estados membros façam hasteá-la, nos edifícos públicos, em lugar especial, fora da ordenação de bandeiras oficiais, nos dias 25 de março, ( aniversário da assinatura do Tratado de Roma) 9 de maio, Dia da Europa, bem como nos atos da entidade. Como diz Carlos Fuente (Protocolo para Eventos, p.280), “Em definitivo a União Européia dá liberdade aos países sobre o uso da sua bandeira”. 

              Nos perguntamos: Porque os membros do CNCP não foram consultados para, como técnicos e estudiosos sobre vexilologia, pudessemos opinar? Afinal somos mais de 2000 filiados que trabalhamos pelo país inteiro… O projeto, que data de 2004, depois de amplamente discutido, foi aprovado de um momento para outro. É interessante recordar que no ano de 2008, o parlamentar do Mercosul, Adolfo Rodriguez Saá, Senador da República Argentina, enviou um Projeto de Normas aos seus pares, que indicava este procedimento de uso.            

              Página 3:

2 – Resumen del Proyecto (RI-PM, artículo 95, inciso 3): el proyecto persigue la adopción de una Decisión del Consejo del Mercado Común tendiente, por un lado, a la utilización de la bandera de MERCOSUR, prevista en la Decisión nº 17/02, en tres hipotesis distintas:

En los edificios públicos

Durante los actos públicos, y

En los establecimientos educativos estatales y privados.

Asimismo, el proyecto persigue establecer el uso obligatorio de la bandera de los Estados Partes por los órganos del MERCOSUR en sus respectivas sedes y en aquellas en las cuales decidan realizar alguna reunión.

 

Página 5:

EL CONSEJO DEL MERCADO COMÚN DECIDE:

Art 1 -  Los Estados Partes adoptarán todas las medidas necesarias para garantizar la utilización de la bandera del MERCOSUR, aprobada por la Decisión 17/02, en los edificios público ubicados en sus respectivos territorios, o en los territorios n los cuales ejercen su jurisdicción o su potestad de imperio, juntamente con el uso de los símbolos patrios.

            Talvez seja em razão do documento, ora apresentado, que houve tanto empenho,  para aprovaçãode parte do autor do projeto de Lei 3246/04,  o Deputado Federal Dr. Rosinha, (Paraná) que também é parlamentar do MERCOSUL.

                         A precedência das bandeiras dos países membros do MERCOSUL, nas reuniões da organização é em ordem alfabética, com a primeira precedência de acordo a presidência, e em seguida o país da próxima letra.

Comemora-se o Dia do MERCOSUL a 26 de março, data da assinatura do Tratado de Assunção.

São considerados Estados Membros: Argentina (1991), Brasil (1991), Paraguai (1991), Uruguai (1991) e Venezuela (2006). Este último, país ainda aguarda aprovação total.

Estados Associados: Bolívia (1996), Chile (1996), Peru (2003), Colômbia (2004), Equador (2004).

Estado observador: México.

 Caso deseje enviar comentário, o e-mail de contato é: ubillus@terra.com.br


 

Matéria publicada no Jornal Valeparaibano em 9 de setembro de 2009

domingo, 27 de setembro de 2009

 JORNAL VALEPARAIBANO

Quarta-feira, 09 de Setembro de 2009

 Artigo Cerimonial é coisa séria – Eliane Ubillús

  • No cerimonial de hoje não há tempo para deslumbres. O cerimonialista, além de ter que estar preparado intelectualmente e dominar pelo menos um idioma a mais que o seu, deverá ter o raciocínio rápido e um perfeito equilíbrio emocional para poder preparar e conduzir um ato. Ser absolutamente discreto, responsável e tolerante é condição indispensável. Outro ponto, de expressiva atenção, é cuidar da saúde e ter significativo preparo físico, já que passamos horas seguidas de pé. Durante o trabalho, jamais temos direito a demonstrar o que sentimos. Dores, tristezas, angústias, problemas pessoais e financeiros são para depois do trabalho. Seguidas vezes deixamos de comer algo que gostamos muito porque aquele alimento poderá causar mal estar; em outras, sequer comeremos porque simplesmente, não nos sobra tempo. Para uma impecável conduta profissional, o cerimonialista deve buscar saber e conhecer tudo. Mais que possuir uma formação cultural sólida deve ter conhecimentos sobre comidas nacionais e internacionais, bebidas e coquetéis (que muitas vezes são representativos de uma região ou de um país), estar em dia com as notícias de última hora, com o câmbio do dia, com a situação política nacional e internacional, enfim terá que saber de tudo ainda que jamais necessite de algumas informações, porém deve tê-las na memória.

    Buscar a excelência profissional é o princípio. Honrar questões, relacionadas com a deontologia, é um dever. Não é necessário que exista um código de ética para ler todos os dias. Isto deve estar intrínseco em cada um de nós. A urbanidade, o saber estar e circular não valerão nada se não houver ética.

    O grande “fantasma” do cerimonial é a precedência. Esta precedência, tão necessária em todos os aspectos do cerimonial, sinaliza o respeito de acordo com a importância das pessoas, das bandeiras, dos brasões, dos hinos, etc.

    Nunca podemos esquecer de que, por trás da boa imagem de uma autoridade, de um evento social, de uma empresa, de uma cidade ou de um país há sempre, nos bastidores, um anônimo que é o cerimonialista e este deve primar pela ética, sabedoria, competência, lealdade, respeito e dignidade.

    Não se cria um cerimonialista da noite para o dia. Para trabalhar na atividade temos que estudar, pesquisar, participar de congressos sobre o tema e ainda trocar idéias com os mestres no assunto. Lamentavelmente, no Brasil, ainda não há uma escola de cerimonial, mas o Comitê Nacional do Cerimonial Público, preocupado com a questão, está trabalhando neste sentido.

    Há 15 anos, trabalhando no Codivap, 11 dos quais, como voluntária, aprendi muito. A multiculturalidade existente, ainda que dentro de uma só região, tem gerado momentos e vivências das mais interessantes. Este aprendizado agregou expressivo valor a minha bagagem cultural cerimonialística. Levar o nome do Codivap, de forma positiva, para os jornais da Europa e também de países da América do Sul e do Norte é motivo de orgulho. O nosso Vale do Paraíba está presente em todos os cantos do mundo não apenas pela grandiosidade de sua indústria e pela beleza de suas paisagens, mas também através do cerimonial do Codivap.

    A presença do nosso Vale é mais forte ainda quando, num dos vôos pela Europa, entro num avião da Embraer. É uma sensação indescritível e emocionante! O sucesso é de todos nós!

Eliane Ubillús é Chefe do Cerimonial do Codivap, vice-presidente da Organización Internacional de Ceremonial y Protocolo e do Comitê Nacional do Cerimonial Público

Macau – um legado de culturalidade

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Por: Isabel Amaral
Presidente da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo

Quando soube que este congresso versaria sobre os desafios da multiculturalidade, pensei logo no território chinês de Macau, região multifacetada onde durante quase cinco séculos se celebrou o encontro entre duas grandes civilizações e onde, ainda hoje, se manifestam as marcas harmoniosas desse encontro numa sociedade singular, alicerçada em valores humanistas e com uma história de convivência entre povos, religiões e filosofias de vida, sem paralelo no mundo

A identidade de Macau, criada ao longo dos últimos quinhentos anos, é diferente de regiões vizinhas, por ter conseguido uma fusão do Oriente e do Ocidente diferente da que foi imposta, durante menos tempo, pelos ingleses em Hong-Kong. Ou da cultura existente no Sul da China, que se manteve fechada à influência do Ocidente e permanece igual ao que era alguns séculos atrás.

Macau conseguiu criar, ao longo de mais de 450 anos, um espírito de respeito mútuo e tolerância que gerou uma convivência em perfeito pé de igualdade entre a comunidade macaense, a comunidade chinesa e a comunidade portuguesa. Assim se explica ter sido a primeira experiência de democracia representativa no Oriente, ou ter conseguido manter uma economia de mercado, ou ter fomentado a liberdade religiosa, com igrejas católicas e protestantes a funcionar ao lado de templos budistas e taoistas, entre outros, ou ainda o facto de, em Janeiro de 1996, com a entrada em vigor novo código penal, ter sido consagrada a proibição da pena de morte, que é punição comum na China.

Actualmente, Macau é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China e, de acordo com a vontade da sua população e dos seus líderes, mantém características sociais e económicas próprias segundo o princípio “um país, dois sistemas” estabelecido na Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China(*).

(*) “A fim de salvaguardar a unidade nacional e a integridade territorial, bem como favorecer a estabilidade social e o desenvolvimento económico de Macau, tendo em conta o seu passado e as suas realidades, a República Popular da China decide, ao voltar a assumir o exercício da soberania sobre Macau, criar a Região Administrativa Especial de Macau de acordo com as disposições do artigo 31.º da Constituição da República Popular da China e que, de harmonia com o princípio «um país, dois sistemas», não se aplicam em Macau o sistema e as políticas socialistas. “ (LBRAEM)

Mas quando me lembrei de falar de Macau, pensei que, tendo sido sempre uma porta importante para os contactos entre o ocidente e o oriente, a Região Administrativa Especial de Macau tem uma área de apenas 27,3 km², à dimensão de um bairro de Lisboa mas com uma das mais altas densidades populacionais do mundo. Macau é de facto um ponto minúsculo no mapa, que pouca gente conhece ou sabe onde fica, mas que neste momento é uma base de penetração comercial no Sul da China, mercado que subitamente se transformou no centro das atenções mundiais.

Antecedentes históricos

Antes da chegada dos portugueses, a península de Macau era habitada por pescadores vindos das províncias de Fukien e Cantão. A palavra chinesa para Macau (“Ou Mun”) significa literalmente “A Porta da Baía”. Porém, a palavra portuguesa para Macau parece estar relacionada com o culto à deusa “Á-Má” que é venerada em todo o sul da China. Existe um templo que lhe é dedicado, à entrada do Porto Interior de Macau. Com a construção deste templo, o local passou a ser conhecido por “Á-Má-Gao” (Porto de Á-Má) de onde muito possivelmente deriva a palavra Macau.

Apesar de já frequentarem os mares do sul da China desde 1513, os portugueses só chegaram a Macau entre 1554 e 1557. Aqui estabelecidos, usaram o território como entreposto comercial, criando vários pontos de trocas, e transformando a península do delta do Rio das Pérolas numa base lucrativa para o comércio entre a China, o Japão e a Europa, ao longo de séculos.

Macau foi também escolhido para centro religioso onde os missionários se preparavam para difundir a fé cristã e as ciências ocidentais no Extremo Oriente. É disso um bom exemplo o famoso Colégio de S. Paulo, da Companhia de Jesus, que foi fundado no século XVI e é considerado pelos historiadores como a primeira universidade, ou estabelecimento de ensino superior, da Ásia Oriental. As suas ruínas são um verdadeiro ex libris daquela que se chamou a «Cidade do Santo Nome de Deus de Macau».

Os jesuítas, que aí ensinavam, tiveram de aprender a língua, os costumes e a cultura chinesa, além de outras culturas orientais. Mas os chineses que ingressavam no colégio também tinham de aprender latim e estudar a cultura ocidental, assim contribuindo para o diálogo inter-civilizacional, que é desde sempre uma das características de Macau.

Os portugueses introduziram no Oriente as armas mas, também, a física, a medicina, a arquitectura, a música e as artes ocidentais, e levaram de volta para o Ocidente a filosofia, a medicina, o chá, a porcelana, os trabalhos de laca, a pintura e outros elementos da cultura chinesa.

Se a presença portuguesa em Macau sempre foi consentida pelos chineses, a verdade é que a soberania de Portugal só foi oficialmente reconhecida pelo governo chinês em 1887. No tratado então assinado em Pequim, a China confirmava a «ocupação perpétua» do território com governo português. Logo a seguir à revolução portuguesa de 1974, o estatuto de Macau sofreu alterações e em 1979, quando foram reatadas as relações diplomáticas com a República Popular da China, Macau mudou de estatuto passando a ser considerado território chinês sob administração portuguesa.

As negociações sobre o futuro de Macau começaram em 1986 e, em 13 de Abril de 1987, Portugal e a China chegaram a um acordo, a Declaração Conjunta sobre a Questão de Macau, onde se afirmava que o Governo da República Popular da China voltaria a exercer a soberania sobre o território em 20 de Dezembro de 1999.

Cerimónia da transferência de poderes

Foram necessários vários anos, muita diplomacia, apurados preparativos e ensaios meticulosos para gizar e organizar a cerimónia que marcou a transferência de poderes de Portugal para a China. Cerca de duas centenas de profissionais da comunicação social do mundo inteiro fizeram a cobertura noticiosa do acontecimento que foi transmitido em directo para todo o mundo.

Ao longo desse dia 19 de Dezembro de 1999, sucederam-se os actos e cerimónias que assinalaram esta transferência de poderes. O mais marcante, do meu ponto de vista, teve lugar no Palácio da Praia Grande, sede do governo português, com o arriar da bandeira de Portugal. As imagens tiveram ampla cobertura e profunda repercussão, graças à utilização de uma linguagem cénica apurada e carregada de simbolismo. O cerimonial, a música e o cenário fizeram verter uma sentida lágrima a todos os patriotas que assistiram, ao vivo ou pela televisão, aos últimos momentos do ondear da bandeira portuguesa naquele território: fomos os primeiros a chegar e os últimos a partir.

A cerimónia oficial de transferência de poderes de Portugal para a China também foi breve e carregada de simbolismo. Houve uma preocupação de simetria, quase ao milímetro e de sincronia, quase ao segundo, no desenrolar da cerimónia que se realizou num pavilhão especialmente construído para o efeito, a que foi dado o nome de Pavilhão Provisório da Cerimónia de Transferência.

Dentro do pavilhão havia lugar sentado para os cerca de 2.500 convidados, incluindo ministros de Negócios Estrangeiros de mais de 60 países, cerca de 30 representantes de organizações internacionais e outras personalidades. Tudo correu segundo o programa pré estabelecido e o único imprevisto foi a chuva que encharcou o longo tapete vermelho que dava acesso ao Pavilhão.

No fundo do pavilhão estava a tribuna central, com dois púlpitos e quatro mastros para bandeiras. À direita de quem observava, ficava o sector português e, à esquerda, o sector chinês. Na parede por trás da tribuna viam-se as duas bandeiras, a de Portugal e a da República Popular da China, marcando cada sector e colocadas à mesma distância do centro. Os púlpitos eram identificados pelos respectivos escudos nacionais(*).

(*) O escudo é apenas um dos elementos que compõem um brasão de armas. Nos termos do Art.º 137º da Constituição da República Popular da China o emblema nacional é constituído pela bandeira nacional, Tian’anmen, uma roda dentada e espigas de trigo e de arroz. O escudo Português não é considerado pela Constituição como um símbolo nacional, e pode ser usado em emblemas oficiais, moedas, selos, etc.

Quando os convidados começaram a entrar no pavilhão, já estavam hasteadas a bandeira de Portugal e a de Macau, ou melhor dizendo, a bandeira do Leal Senado, representando a administração portuguesa do território. Os dois mastros centrais de cada lado do palco tinham cerca de meio metro mais de altura do que os laterais. Estes mastros eram muito sofisticados: apesar de a cerimónia ocorrer no interior, havia um sistema de ar dentro dos mastros que fazia ondular as bandeiras quando estavam no topo, tornando-as mais visíveis e contribuindo para a simbologia da cerimónia.

Programa da cerimónia

Os mais altos representantes da República Popular da China e de Portugal tomaram assento na tribuna central. A cerimóniae começou com a intervenção do Presidente da República Portuguesa.

Procedeu-se depois à transferência de poderes, com a entrada de três elementos fardados das Forças Armadas de cada país. Os militares portugueses entraram sem nada nas mãos mas os chineses (escolhidos a dedo no norte da China para serem da mesma altura e mais altos do que a maioria dos chineses presentes na cerimónia) carregavam a bandeira da República Popular da China. Em seguida entraram três elementos das forças policiais de cada país, novamente com os chineses a carregarem uma bandeira, a da Região Administrativa de Macau.

Minutos antes da meia-noite, ouviu-se o hino nacional português(*) enquanto a bandeira nacional e a do Leal Senado de Macau eram arriadas ao mesmo tempo. Em seguida, à meia-noite em ponto do dia 19 de Dezembro de 1999, cessou a Administração de Portugal no Território de Macau, e às zero horas do dia 20 de Dezembro de 1999, o regresso de Macau à China foi assinalado pelos primeiros acordes do respectivo hino nacional(**), enquanto as bandeiras da República Popular da China e da Região Administrativa Especial de Macau eram içadas lentamente.

(*) Nos termos do Artigo 11º da Constituição da República o Hino Nacional é “A Portuguesa”, composta em 1890, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, O hino é composto por três partes,mas apenas a primeira parte é usada em cerimónias oficiais, sendo as outras duas partes praticamente desconhecidas.
(**)Apesar de não existir um Hino Nacional chinês oficialmente aprovado existe regulamentação própria para a sua execução bem como para a sua protecção. Até à aprovação do Hino Nacional, é usada “ A Marcha dos Voluntários” que foi criada durante a revolução de 1949.

Seguiu-se o discurso do Presidente da República Popular da China. No fim, as bandeiras portuguesas foram dobradas e levadas para fora do palco pelos elementos das forças armadas, com a mesma formalidade com que as outras bandeiras tinham entrado no pavilhão. Mas desta vez, foram os portugueses os portadores das bandeiras arriadas.

A cerimónia tinha sido orquestrada ao segundo e a actuação de elementos das Guardas de Honra dos dois países e bandas militares que começara às 23:42 do dia 19 de Dezembro de 1999, terminou às 00:17 horas do dia 20 de Dezembro de 1999 (para não prejudicar a simetria houve necessidade de prolongar por uns segundos os acordes do hino chinês para que tivesse a mesma duração do hino português…).

No final da cerimónia os dois Chefes de Estado cumprimentaram-se com um aperto de mão e, após as despedidas da praxe, as autoridades abandonaram o pavilhão. Durante a madrugada de 20 de Dezembro de 1999, com início à 01:45, no Fórum de Macau, procedeu-se à Cerimónia da Criação da Região Administrativa Especial de Macau perante 3500 convidados. Como dizia uma das personagens de Os Maias, de Eça de Queirós, «tudo passa, menos a China».

XII CONCEP – Natal-RN- Brasil
26-28 de Outubro de 2005

Palestra aparesentada durante o II Congreso Paraguayo de Ceremonial y Protocolo no dia 28 de julho de 2005, em Asunción

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

El Ceremonial en los Municipios

Eliane Ubillús

Ceremonial es el lenguaje mas completo para disciplinar la convivencia humana sea por el aspecto formal o informal, en donde utilizamos las normas de protocolo, rituales civilidad y etiqueta, unidas a la creatividad, a través del lenguaje escénico, respetando sobremanera las tradiciones de los pueblos.

No importa cual sea la definición, sabemos que Ceremonial hace parte de nuestras vidas de las formas mas variadas: en los nacimientos, en los bautizos, en las graduaciones, en los noviados, en los matrimonios, en los aniversarios, en las celebraciones con motivos los mas variados, y también en especial, en el día a día de las autoridades gubernamentales en todos los tipos de régimen de gobierno. Se hace presente también de forma expresiva en las empresas privadas, en las fuerzas armadas, en eventos deportivos, religiones y principalmente en los medios diplomáticos.

Hace algún tiempo que el ceremonial dejó de ser emergencial para ser institucional.
Lo que antes era privilegio apenas de las presidencias de gobiernos o de los estados, provincias / departamentos, actualmente es una realidad en los municipios, empresas, aeropuertos, iglesias, ministerios etc., pues en su gran mayoría ya cuentan con su equipo de ceremonial.
Algunos políticos no se dan cuenta de la importancia del ceremonial en la administración municipal pero la mayoría ya tiene conciencia de que es imprescindible.
Como instrumento de comunicación, el ceremonial es un medio eficaz en el cuidado con la imagen de una autoridad, de una ciudad, de un estado y de un país.
Somos responsables por todos los detalles, y en eso se incluye los trajes que usan las autoridades, las recepciones en la intendencia / municipalidad, ceremonias de las mas diversas incluso desayunos, almuerzos y cenas en las residencias de nuestros jefes.

Trajes, precedencias y otros
En las grandes ciudades es más común que los alcaldes usen ropas formales pero, en el interior, muchas veces es una verdadera “batalla” conseguir que se vistan con este tipo de ropa. La eterna charla de que “Aquí somos muy simples” o algo así nos lleva a tener un asunto a más para administrar, porque ni siempre ellos pueden vestir traje informal, aunque en la actualidad se note el uso de los trajes informales en muchos países. Esta preocupación hay que tener también con la primera dama o con el marido de la alcaldesa. En cuanto a las recepciones con comidas, además de tenernos la responsabilidad de escoger el menú, siempre debemos estar atentos a las precedencias. Mismo que en las municipalidades /intendencias se trabaje apenas con el ceremonial público/ oficial, no nos escapa tener que hacer algún día un matrimonio de un alcalde o un bautizo de uno de sus hijos. Eso es ceremonial social, lo que a algunos de nuestros colegas no les gusta trabajar, pero da igual pues quedará a nuestro cargo.

Administrando problemas
Otra cuestión muy especial es que el ceremonialista administra con mucho más sensibilidad las relaciones entre las autoridades y la población o mismo con los diversos segmentos de empleados del municipio. Cuando hay situaciones conflictivas como una “rebelión” de los basureros o huelga del transporte público, el equipo de ceremonial por cierto sabrá manejar eficazmente el asunto de cómo invitarlos para una conversación o como recibirlos. La primera actitud es tratarlos tan bien como si fueran autoridades. Luego, no dejarlos esperando por mucho tiempo a la autoridad con quien desean hablar. Servir café, agua o algo que sea hábito en el municipio es otro detalle importante.

Reglamentos, leyes y precedencias
Nosotros los ceremonialistas no inventamos reglamentos, ni tampoco creamos las leyes. Apenas las conocemos porque es la base de nuestra actividad y las usamos para que exista respeto entre las personas, con los símbolos nacionales, con los vehículos cuando en situación protocolaria etc. El principio de la física se hace presente de manera significativa en el ceremonial: “Dos cuerpos no ocupan el mismo espacio”, así que cada uno debe de estar en su lugar. En ese sentido los ceremonialistas también administran las vanidades y no son raras las veces que alguien quiere pasar por delante de otro pensando que nos puede engañar.

Equipo de Ceremonial
Cuando un municipio NO tiene un departamento ó directoria de ceremonial la plasticidad y la exactitud de los eventos por cierto estará comprometida.
Un buen equipo de ceremonial cambia por completo la imagen de una administración y el resultado final, es mayor credibilidad, más poder político y consecuentemente mas fuerza administrativa. Un evento mal sucedido demuestra falta de organización de todo el gobierno.
Hay alcaldes que en su gabinete tienen como prioridad el servicio del ceremonial. Para que este trabajo tenga un buen desarrollo existen ítems que deberán ser observados con rigor.
De nada servirá tener profesionales altamente calificados si a ellos no les dan infra-estructura básica. A seguir presentamos sugerencia del cuadro de personal.

Jefe o Director de Ceremonial
Sub-Jefe o Sub-Director de Ceremonial
Maestro o locutor de Ceremonias
Asistentes (todos deben tener conocimientos básicos de informática)
Técnico de informática (para elaboración de invitaciones, mapas de localización de los eventos, tarjetas etc.)
Calígrafos (que pueden ser contratados según la necesidad)
Chóferes / Conductores (que usen trajes adecuados a su trabajo)

En busca de la perfección
No hay que olvidarse que debemos buscar el error cero y que hasta la falta de luz en una ceremonia, muchas veces difícil prever, es cierto que la “culpa” será del equipo de ceremonial. Calidad total es nuestra eterna meta. No tenemos el derecho de errar.
Como decía el lema del Segundo Congreso Paraguayo de Ceremonial y Protocolo: “Buscando la excelencia profesional”

Nuevos escenarios
La busca incesante por nuevos escenarios siempre acrecentará algunos puntos a toda ceremonia. Una simple firma de convenio quedará más interesante si usamos un bello jardín como local para el evento. Las cenas y almuerzos pueden salir de los restaurantes y perfectamente se “ubicaren” en un museo cercado de historias por todos los lados, en la Casa de Cultura que tiene obras de arte maravillosas o en un campo con árboles centenarios o especies raras. Usar los colores correctos para aquel momento, la decoración exacta, y esmerarse en los detalles es indispensable. Ni todo evento puede tener una decoración con los colores de la bandera del municipio porque parecería uniformado y no habría mucha diferencia entre un evento y otro. El cambio de colores de un acto a otro despertará en los invitados mas interés en participar de los eventos entretanto, es de buen tono que las cintas de inauguración sean preparadas con los colores de la ciudad. Cuando no hay para comprar y no podemos encargar a una fabrica es muy fácil pegar las cintas una sobre la otra.

Flores
Cuando usamos flores en la decoración debemos escoger algo que esté de acuerdo con el evento. Flores muy nobles para eventos simples no deben de ser usadas. La decoración es como el remedio, o sea, debe ser usada en la dosis exacta. El exceso ni siempre es señal de requinte. Muchas de las veces podrá parecer ostentación y eso es un paso para ser transformado en comentarios negativos por parte de los invitados o de la imprenta sobre gastos indebidos.
Cierta vez fue invitada a una reunión en donde había arreglos florales desde la entrada y en todo el pasillo en forma de columnas con flores blancas y rosadas. Al adentrar al salón, las flores estaban sobre las mesas en pequeños adornos, dispuestos a cada metro. En los cantos más columnas…La verdad es que me sentía en una fiesta de matrimonio y no en una reunión de trabajo de una empresa. Lo que debía ser bello acaba tornándose ridículo.

Música
La utilización de la música es otro detalle que no puede faltar, pero mucho cuidado al seleccionar el repertorio, pues un error y todo viene abajo. El motivo de la ceremonia, la edad de las personas y el local en donde se realiza el acto nos conducirá a la escoja correcta. En un teatro del siglo 18, con estilo barroco al menos que haya un espectáculo de rock, jamás pondremos este tipo de música para la ceremonia. Lo mismo que en una inauguración de una plaza que lleve el nombre de una persona joven, no debemos usar músicas barrocas, cantos gregorianos o algo semejante. Hay que saber distinguir con cuidado todo lo que se va a usar en cada ceremonia, y en especial la música que es algo que mueve rápidamente con la emoción de las personas.

Símbolos Municipales
Debemos tener cuidado con el uso de los símbolos del municipio no dejando que la marca de la administración aparezca más que el escudo oficial o la bandera de la ciudad.
Para toda folleteria, adhesivos en los autos, banners, etc deberá ser evaluado el uso de los SIMBOLOS.

Banderas
Mismo que haya la policía municipal o algo semejante el ceremonial acaba siendo el responsable por comprar las banderas internas y externas, los mástiles, y todo material necesario para este fin. Atención con la calidad. Banderas muy en cuenta no son bordadas (en el caso de tener el escudo) y eso llevará a tener que cambiarlas muy pronto. El tamaño de la bandera casi siempre tiene reglamento. No puede ser apenas un rectángulo cualquier y eso también debe ser observado si está correcto. Además, muchas veces tenemos que cuidar de la precedencia en que son usadas y cuando estén en mal estado de conservación mandarlas para la cremación. La atención a las banderas no quiere decir que tengamos que izarlas a las 8h y bajarlas a las 18h, pues siempre habrá alguien responsable por esta tarea pero a diario tenemos que cuidar si están con las precedencias correctas. En los días de luto oficial también es el ceremonial que se ocupará de comunicar a quien de derecho a partir de cuando y el numero de días que se quedarán las banderas a media hasta.

Condiciones climáticas y los eventos
Hay que conocer las condiciones del tiempo con antecedencia. Si un evento es al aire libre debemos estar preparados para cambiarlo de local a cualquier momento o adecuar previamente aquel local elegido para que no pasemos por una eventual contrariedad a lo que imaginamos. Con el avanzo de los equipos de informática hoy podemos saber que temperatura iremos tener en los próximos 10 días. Existen varios sitios sobre el asunto y el que mas visito es el http://br.weather.com
Con precisión podrán saber el tiempo en todo el mundo, y eso sirve también para mantener el alcalde / intendente informado, en caso que vaya a viajar, sobre las temperaturas de las ciudades por donde visitará. Eso ayuda en la logística de los eventos y en el arreglo de las maletas.

Equipo en la oficina
Mesas para que cada una tenga la suya con su respectiva silla
Sillones o sillas para que tomen asiento las personas a quienes recibimos
Computadora con grabadora de disket, de CD y lector de DVD, que tenga programas Adobe Acrobat Reader, Power Point, Corel 12, Windows Media Player, y las fuentes de las letras Shelley Andante, Shelley Volante y Shelley Alegro que son las letras del tipo manuscrito.
Internet con alta velocidad / dirección electrónica personalizada del ceremonial
Impresora de alta calidad, (para que con el apuro la invitaciones puedan ser hechas en la misma oficina)
Scanner

Sugerencia de material para logística
Nominatas (son las tarjetas con los nombres de las personas más importantes, sus cargos y forma de tratamiento.
Papeles tipo A4 y sobres de buena calidad para oficios y correspondencias en general 120gr.
Papeles y sobres para invitaciones hechas de última hora – Vergé / Opalina / 180gr. y 240gr.
Tarjetas de mensajes c/ sobres tamaño aproximado de 10×15cm
Tarjeta de visitas para el alcalde y equipo de ceremonial

Paraguas grandes
Banderas internas y externas
Mástiles c/ soportes / Lanzas
Paños de placas en varios tamaños
Atril
Vasos para uso en la mesas de reuniones / Porta vasos de loza o cristal
Manteles de varios colores y tamaños en tela gruesa
Bandejas / paños para bandejas
Servicio de café y té completo en loza de buena calidad para atender a las reuniones internas y pequeñas visitas.
Ceniceros
Bolígrafos de buena calidad para la firma de contratos e convenios
Rota folios
Data show / y pantalla
Palcos de diversos tamaños con 30cm de alto x 1.50m x 1m
Celulares
Rádios inter comunicadores
Prismas para las mesas de reuniones
Autos

Kit “Primeros Socorros”
Libro o fotocopia del decreto o ley de precedencia
Remedios para dolor de cabeza / fiebre / mala digestión / diarrea / Isordil sub-lingual
Tijera
Ban-daid
Absorbente higiénico femenino
Estuche con agujero, hilos de colores diversos, botones, alfileres etc.
Esponja para limpiar zapatos
Pañuelito de papel
Caramelos refrescantes
Alcohol y trapos limpios
Agenda telefónica (Alcaldes / intendentes siempre piden el numero del teléfono de alguien cuando están en una ceremonia o también nosotros mismos podremos tener alguna urgencia)
Medias finas en el tamaño de la primera dama y del equipo femenino de ceremonial

Deben ser preparados
Mailing list con todos los nombres, cargos, direcciones, e-mails de todas las autoridades municipales, estaduales o provinciales, y del gobierno federal.
Mailing list con nombres, cargos, direcciones y e-mail de algunas celebridades locales
Mailing list de los invitados del alcalde (amigos, compañeros de partido, familia etc.)
Archivo de fotos de los eventos
Archivo de invitaciones enviadas
Archivo de anotaciones con fechas, nombre de los eventos y el traje que usó la primera dama.
Archivo con el menú que fue servido en cada evento, con fecha y lista de invitados presentes.

Libro de Visitas
Es un libro en donde quedan perpetuados las firmas y mensajes de visitantes o invitados a un determinado evento. Muchas veces tiene la capa de cuero, con letras grabadas en dorado. Generalmente está escrito – Libro de Visitas, a quienes pertenece y la fecha de inauguración del libro. Tiene cerca de 500 hojas.
La primera página debe de ser abierta con letras hechas por calígrafa/o, con el nombre del primero evento y la fecha.
El uso de este libro será por ocasión de fechas importantes como el aniversario de la ciudad, o del alcalde, un visitante ilustre, un evento especial, o una fecha expresiva del país.

Ceremonias mas comunes en el Municipio
Toma de posición, Inauguraciones, Piedra Fundamental
Firma de convenios
Visitas Gubernamentales y no Gubernamentales
Conferencia / Rueda de prensa
Desfiles cívicos (Independencia del país/ aniversario de la ciudad)

Eventualmente
Presentación de Libros
Congresos
Jornadas (internas o externas)
Luto oficial
Eventos culturales (Festivales de cine, música, folclore)
Eventos deportivos (Juegos municipales, Regionales, Campeonato de Fútbol)
Día de la ciudad, día de la bandera, de los niños, de los profesores etc.
Fiestas Navideñas para el pueblo y las privadas entre funcionarios)

Comentarios
Cada evento tiene las características propias del local. Las toma de posesión, inauguraciones, desfiles cívicos, y otros, siguen reglas o regimientos protocolarios pero nada impide que hayan aspectos novedosos.
Las secuencias de actos deben ser creadas siguiendo una lógica que proporcione facilidad de comunicación. Cada acto tiene un sentido pedagógico. No importa si la cinta será cortada antes o después de los discursos. Indispensable es respetar las precedencias y no fallar en los seguimientos comunes a cada ceremonia. Todo tiene una razón. Las ceremonias no son encuentros informales. Mismo las más simples tienen que seguir una cierta formalidad.
El ceremonialista debe conocer un poco de cada tipo de ceremonial, para que siempre le salga todo perfecto, aunque caminemos para las especialidades que tiene nuestra actividad.
Los congresos en general vienen de afuera. Es común que el alcalde de apoyo y eso quiere decir que acabamos nosotros haciendo todo el ceremonial pero no son raras las veces que la organización de este tipo de evento acabe por entero en nuestras manos.
De acuerdo al evento, si el alcalde va para la ceremonia de apertura, nosotros usando de la ética, debemos “fiscalizar” el ceremonial (cuando no es hecho por nosotros) para cuidar de la precedencia de nuestra autoridad (no apenas en donde va a sentar pero sobre el momento que va hablar) y atenderlo personalmente pasándole las nominatas, contestando a su celular, anotando recados etc.
Las conferencias o ruedas de prensa deben ser preparadas por el equipo de comunicación pero toda la logística es de nuestra responsabilidad. Hoy se usa mucho invitar a los periodistas a tomar desayuno o para un lonche por la tarde, ocasión en que acontecen las preguntas.
El luto oficial no llega a ser un evento pero hay que dar atención como si así fuera. Debemos manejar desde el decreto hasta la comunicación a todos para que pongan las banderas a media hasta y conforme la gravedad preparar la distribución de cintas negras para con alfileres para que todos usen en la ropa. Si el luto es por fallecimiento del gobernante allí si pasa a ser un gran evento, que necesitará casi todo lo que es común a la organización de eventos pero con una dificultad: Es de una hora a otra. No hay tiempo para planear.
Las visitas muchas veces duran días y otras duran apenas horas. Para las dos debemos prever el hospedaje. Mismo que un visitante se quede apenas unas horas pude ser que desee tomar un baño, o que tenga que descansar una hora, o apenas cambiar de ropa. No hay que olvidarse que a todas las visitas debemos ofrecerles hotel. Es de responsabilidad del municipio recibir en el aeropuerto, hospedarlos y alimentarlos. Los traslados locales están inclusos en las responsabilidades de quien recibe y también llevar al aeropuerto cuando del regreso. En el caso de que vayan a otro municipio debemos llevarlos hasta el local en auto o medio de transporte que sea hábito.

Placas
Las placas pueden ser por motivo de inauguración, ceremonia de piedra fundamental, de marco de una visita, de revitalización de una plaza o edificio, etc.
En general ellas contienen por lo menos el nombre de que se está inaugurando, y la fecha. Otras tienen nombre de una autoridad que fue especialmente para aquel momento, y todavía otras tienen además de eso, el nombre de las mayores autoridades de acuerdo a su respectiva precedencia.
A lo largo de estos años de experiencia, algo que siempre llama la atención y hace un enorme suceso es la entrega de la réplica de placa en tamaño pequeño que a la familia de la persona homenajeada. Es siempre una emoción el momento de este acto. La placa puede ser 10 x 15 o 15 x 20, y viene en estuche de terciopelo. Su precio es insignificante comparado al efecto.

Decreto o ley de precedencia
Tener siempre a la mano, no apenas en el estante de libros. Este es un instrumento de trabajo muy precioso.

Invitaciones
Deben de ser creadas por el ceremonial y grabadas en Corel o Word (o programa semejante) para luego mandar por Internet o llevarlas a la grafica o bureau de impresión para que sean impresas.
Hay unas que como ya comentamos pueden ser hechas en la oficina. En general son las en numero pequeño.
Toda invitación debe ser en papel de buena calidad de gramaje 180gr o 240gr.
Los sobres deben coincidir con la invitación tanto en el gramaje como el color
Toda y cualquier invitación debe constar: Quien invita, para que invita, a que horas, en que lugar, y el traje; en el sobre va el nombre del invitado.
Si las invitaciones son formales: Quien invita, el nombre del invitado en caligrafía, a que horas, en que lugar, el traje y RSVP para confirmaciones. El en sobre el nombre del invitado también va escrito por calígrafo/a.

Conociendo los gustos y problemas del (de la) jefe
Fumador: hay que tener a la mano siempre un cenicero
Alérgico: cuidar para que esté lejos de lo que le causa alergia, inclusive alimentación.
Gusto por caramelos o chocolates: Dejar próximo o tener en el bolsillo para ofrecerle o en caso de que el / ella pida.

La Primera Dama o esposo
Hablemos del más común que es la Primera Dama pero todo lo que esté a seguir vale para los dos: Primera dama o esposo de la Alcaldesa.
Primera dama no es cargo, es condición o posición social, pero es aconsejable tener muy buenas relaciones con ella porque podrá ayudar en mucho para con nuestro trabajo.
Ella no debe de ir a todos los eventos. Apenas debe participar de los que exijan su presencia y en todo debe ser discreta. Jamás debe participar apenas porque es la esposa del alcalde, pero igualmente jamás podrá recusarse a acompañarlo cuando sea necesario.
En el auto el asiento detrás a la derecha es de la persona de primera precedencia, por lo tanto del Alcalde.
En un almuerzo o cena formal no será de buen tono que la primera dama no acompañe el alcalde. Esta es una situación social en donde su presencia es imprescindible.

Seguridad
En las grandes ciudades es común tener a un cuerpo de seguridad en las municipalidades / intendencias, pero en las pequeñas ciudades eso es raro. Los profesionales de seguridad ayudan mucho a los de ceremonial. Cuando no hay cuerpo de seguridad todo es más difícil para nosotros. Tenemos que prever caminos, tiempo de traslados, en los eventos marcar y reservar local para estacionar los autos de las autoridades principales, y una serie de otras providencias que es común a los de seguridad.

Equipo de Comunicación / Prensa
Son tan indispensables como el de ceremonial. Trabajamos muy próximos. Son ellos que muchas veces nos solicitan crear un evento para reverter una situación político-administrativa delicada. También nos quitan la responsabilidad de atender a los periodistas además son ellos que saben mucho mejor divulgar las informaciones.
En algunos casos hay un vocero, pero en la mayoría de las veces son apenas periodistas, fotógrafos, cine grafistas

Galería de Alcaldes / Intendentes
Casi siempre es de la responsabilidad del ceremonial por necesitar que se cuide de las precedencias. Estas ceremonias entran en el grupo de las inauguraciones. Son muy importantes por el lado político, pero en la misma proporción delicadas en razón de la mezcla de partidos que son invitados. Muchos son enemigos políticos así que este momento es perfecto para intentar amenizar los ánimos ya que vamos a juntarlos todos alrededor de un mismo motivo.

El ceremonial
El mundo del ceremonial es fascinante para quien se dedica con alma a su trabajo. No importa si estamos en una ciudad pequeñita o en una capital; lo más importante es que los actos sean hechos con rectitud, responsabilidad, creatividad y sobre todo dedicación.
Muchas veces, en una pequeña ciudad de interior encontramos profesionales de ceremonial más competentes que muchos de las grandes ciudades. No duden que aprendemos a cada día, mismo con los colegas que están bien lejos de las capitales. El valor está en cada uno de nosotros.

Finalizando, dejo a ustedes una reflexión que fue creada en Aguascalientes – México, por el Profesor Nelson Speers, Presidente de Honor de la OICP, conocido en Brasil como el Papa del Ceremonial Brasilero:

“Todo hombre debe tener su espacio psico-emocional respetado bien como tiene el deber de respetar el del otro. El camino es el CEREMONIAL.
La finalidad es la armonía y la Paz universal”.

Muchas Gracias

Eliane Ubillús

PERFIL DO CERIMONIALISTA BRASILEIRO

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ao analisarmos o tema, nos deparamos não com um, mas com vários perfis de cerimonialistas, neste grande país repleto de costumes diferentes. O perfil do cerimonialista é algo muito amplo e complexo.

Há alguns anos, pensava-se que esta atividade poderia ser exercida apenas por diplomatas.
Anos depois, a necessidade das autoridades de menor precedência, porém igualmente autoridades, que tinham que ter seus Chefes de Cerimonial mas não podiam se dar ao luxo de ter a um diplomata no cargo, nos levou a ter mais oportunidades de emprego na área.

Temos colegas das mais variadas profissões e em conseqüência, os mais variados perfis.

Um advogado, não pensa como um arquiteto; um professor não tem a mesma conduta de um RRPP; um jornalista não conduz as coisas como um artista plástico, porém todos igualmente exercem a atividade de ceremonialista.

O Professor Nelson Speers, “Pioneiro Emérito do Cerimonial Brasileiro”, “Premio Internacional de Protocolo”, “Presidente de Honra da Organización Internacional de Ceremonial y Protocolo – OICP”, diz que no Brasil somos todos autodidatas, talvez porque ele tenha sido, já que em nosso país não há cursos completos de cerimonial porém a grande maioria dos cerimonialistas brasileiros não pode ser assim considerada porque muitos de nós fizemos cursos com o Professor Nelson.

Os que não fizeram diretamente, o fizeram com seus alunos, e os demais, pelo menos, leram seus livros.
Sendo ele um autêntico autodidata, por seu intermédio chegamos a conhecer opiniões de autores conhecidos internacionalmente, entre eles o Embaixador Jorge Blanco Villalta, a quem anos depois tive a honra de conhecer e de ser por ele presenteada com um de seus livros.

Existem também outros autores brasileiros, que têm excelentes obras como o Embaixador Augusto Estellita Lins, e os colegas Marcílio Reinaux, Maria Iris Teixeira de Freitas, Jack Correa, Flavio Benedicto Viana e vários outros que contribuem para a formação dos nossos cerimonialistas, mas ainda assim é grande a carência de publicações e nestas se incluem as estrangeiras, traduzidas ou não para o português.

Diante do exposto, nos remetemos ao princípio de nossas palavras quando dizíamos que no Brasil temos vários perfis de cerimonialistas.

Atualmente, muitos dos cerimonialistas brasileiros são membros do Comitê Nacional do Cerimonial Público. Alguns, (os fundadores) há mais de 10 anos, outros a menos tempo, e não podemos deixar de ressaltar que o CNCP nos abriu as portas para uma convivência extremamente saudável entre os colegas cerimonialistas durante os 11 congressos nacionais de cerimonial público e de mais um incontável número de jornadas, encontros, e seminários sobre as mais variadas especialidades, todos realizados pelo Comitê..

Esta proximidade nos levou a aperfeiçoar e a harmonizar consideravelmente a conduta de trabalho do cerimonial brasileiro, já que o convívio possibilita a troca de experiências mas temos que seguir admitindo que mesmo assim, seguem os muitos perfis de cerimonialistas . Um país de dimensões continentais, com 5 regiões completamente diferentes, nos leva a ter posturas sócio-culturais e econômicas igualmente diferentes.

O idioma, (com sotaques tão diferentes), a alimentação, os trajes, (em função da variedade de climas), os costumes, o trânsito, os diferentes fusos horários e muitos outros aspectos levam a que o cerimonialista não apenas tenha mas aplique perfis diferentes no desenvolvimento do seu trabalho.

Muitas das diferenças ocorrem pela oportunidade que os cerimonialistas tiveram no que se refere a educação e muitas outras são por não se interessam em buscar o saber por intermédio de cursos e pesquisas.

Há os que têm pouca ou nenhuma oportunidade à mão, porque vivem em lugares muito distantes porém buscam por meio da Internet ou de livros a forma de melhorar seus conhecimentos. A estes colegas… o nosso aplauso!

Através do site do CNCP – www.cncp.org.br recebemos perguntas e consultas de todas partes que são respondidas gratuitamente. Isto auxilia muito no dia a dia do cerimonialista que não dispõe de uma biblioteca nem de um colega experiente por perto.

Alguns acham que nunca necessitarão de conhecimento mais profundo já que estão nos cargos por puro nepotismo e os 4 anos que estiverem trabalhando em cerimonial durante o mandato de um determinado político logo passarão.

Neste ponto, muitas autoridades são as responsáveis por esta forma de pensamento pois nomeiam a um amigo para o cargo a fim de atender a compromissos políticos e como este tipo de autoridade quase sempre não conhece o assunto, para desculpar os erros muito freqüentes, se intitulam pessoas muito simples que não querem nada de cerimonial nem tampouco de etiqueta. Não entendem que as ações do cerimonial, conduzidas por um profissional competente, podem construir positivamente sua imagem pessoal e também da entidade que administra.

Por outro lado, e digo isso com imensa alegria, os cerimonialistas com boa qualificação que podem ser considerados verdadeiros profissionais já é bem grande e vem aumentando consideravelmente a cada dia.

Sabemos que o perfil de um profissional se forma principalmente através da sua intelectualidade. Não esqueçamos de que em cerimonial devemos estar atentos não apenas a leis, formas, normas, costumes, heráldica , vexilologia, mas também a um sentimento muito especial que é o emocional das pessoas.

Para tanto, devemos conhecer muito bem não apenas como fazer mas porque fazer daquela maneira para termos mais condições de argumentar e de sermos compreendidos nos momentos que somos questionados em relação a uma determinada conduta de trabalho. Se não dominamos o assunto tudo será mais difícil, e muitas vezes mesmo que estejamos corretos, passaremos por errados. Só atingiremos esta postura firme e gozaremos de um alto poder de convencimento de que estamos certos por “N” razões, se conhecermos as bases do porque é assim.

O grande “fantasma” do cerimonial é sempre a precedência. Esta precedência que se faz presente em todos os aspectos do cerimonial e que sinaliza o respeito de acordo com a importância das pessoas, também está intrinsecamente ligado a um sentimento muito especial que é a vaidade.

Neste caso, o cerimonialista terá que conhecer não apenas as leis e tudo o que se relaciona com o cerimonial mas saber, com esmero, administrar as vaidades.

No cerimonial de hoje não há tempo para deslumbres. O cerimonialista além de estar preparado intelectualmente, e dominar pelo menos um idioma a mais que o seu, deverá ter o raciocínio rápido e um perfeito equilíbrio emocional para poder preparar e conduzir um, ato. Ser absolutamente discreto, responsável e pontual são condições indispensáveis.

Outro ponto de expressiva atenção é cuidar bastante da saúde e ter considerável preparo físico já que passamos horas seguidas de pé. Durante os momentos de trabalho jamais teremos direito a demonstrar o que sentimos ainda que seja uma pequena dor de cabeça. Muitas vezes até deixaremos de comer algo que gostamos muito porque aquele alimento poderá causar mal estar; em outras, sequer comeremos porque simplesmente, não nos sobra tempo.

Cuidar da nossa imagem será fundamental. Saber distinguir o traje e que perfume usar de acordo com a hora e o evento, ter os cabelos bem cuidados, caminhar suavemente, sentar sem parecer que está descansando, preocupar-se com a maneira como entra e sai de um veículo, dar atenção a forma de como subir e descer escadas e no que se refere às mulheres não exagerar na maquilagem, por certo levarão ao cerimonialista ter uma boa imagem.

Devemos compenetrar-nos de que no momento do evento do qual somos responsáveis, estamos trabalhando, portanto, não somos os convidados.

Para uma impecável conduta profissional o cerimonialista deve buscar saber e conhecer tudo. Mais que possuir uma formação cultural sólida, deverá conhecer sobre comida nacional e internacional, bebidas e coquetéis (que muitas vezes são representativos de uma região ou de um país), estar em dia com as notícias de última hora, com o câmbio do dia, da situação política nacional e internacional, enfim terá que saber de tudo, ainda que jamais necessite de algumas informações, porém deve tê-las na memória.

Podemos citar mais alguns outros pontos necessários para um bom perfil do cerimonialista, como por exemplo o civismo, o amor à pátria e ser, como diz Carlos Fuente, “um grande criador de atos”, porém jamais deixaríamos de falar sobre o aspecto Ética.

Respeitar as questões relacionadas a deontologia será sempre um dever. Não será necessário que exista um código de ética para ler todos os dias. A urbanidade, o saber estar e circular não valerão nada se não houver ética.
Nós cerimonialistas devemos estar preparados para qualquer eventualidade.

Muitas vezes assumimos responsabilidades que não são nossas e nestes casos incluímos algumas que jamais imaginamos chegar tão próximo, porém, de uma hora para outra nos vemos ligados a ela e ainda mais, tendo que assumir toda a responsabilidade.
Não esqueçamos de que por trás da boa imagem de uma autoridade, de um evento social, de uma empresa, de uma cidade ou de um país, há sempre nos bastidores um anônimo, que é o cerimonialista.

El PROTOCOLO Y LA ADMINISTRACION LOCAL

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

El PROTOCOLO Y LA ADMINISTRACION LOCAL
Mª Adelaida Pérez-Aldana y Romero
Tenerife – Islas Canarias – España

El protocolo es la imagen del poder, define y ordena sus signos.
Históricamente, desde las antiguas civilizaciones, ha supuesto el conjunto de formas externas de consideración y respeto a las jerarquías, formas vinculadas a la idea de poder y a su ejercicio, protagonizando tanto a las actividades cotidianas como las apariciones públicas de quienes detestan el poder.
De algún modo supone la interrelación entre las instituciones y sus públicos.

El actual fenómeno globalizador supone una mayor necesidad de comunicación y trato social.

El Protocolo en la actualidad constituye el conjunto de normas, costumbres y técnicas necesarias para la realización de los actos, públicos o privados, y la ordenación de sus invitados.

Así, la celebración de los actos oficiales se regula por este conjunto de normas y disposiciones legales, junto con los usos, costumbres y tradiciones.

El objetivo perseguido por el Protocolo es doble:

- conseguir la justicia que conlleva el orden en el procedimiento previo a toda acción de presencia pública como garante de la confianza mutua.
- La proyección adecuada de la identidad institucional de cara a la formación de una imagen óptima.

La ordenación protocolaria asegura también la transmisión idónea del mensaje organizacional de modo que llegue al público de manera directa en la comunicación no verbal por el sistema ceremonial, constituyendo de este modo una técnica de reconocimiento no verbal del sistema de relaciones establecidas por la institución con sus distintos universos, de forma que sus dimensiones espaciales y temporales proporcionen las claves de su conocimiento.
En esa trama comunicativa que componen ceremonias y actos públicos la imagen debe corresponder a la identidad.

El Protocolo se configura así como elemento ordenador y definidor a través de la ubicación de personas y entidades en un espacio y un tiempo, en base a unas reglas preestablecidas y aceptadas por la comunidad.

Por su parte, el Ceremonial responde a planteamientos estéticos y funcionales que complementan los valores, principios y objetivos de la institución emisora.

JUSTIFICACION DEL PROTOCOLO

Las administraciones públicas acuden hoy al Protocolo como medio de eficacia universalmente reconocido para organizar la proyección externa de sus relaciones de poder con otras instituciones.

La existencia del Protocolo en la vida oficial se justifica con la necesidad de ordenar de acuerdo a los criterios vigentes y con el fin que persigue, que no es otro que la ordenación armoniosa y estética de las relaciones humanas, el buen decoro de las instituciones y sus actos, la defensa de su dignidad y el agrado de todos los asistentes a los mismos.
No se trata de oficializar los actos con la aplicación del protocolo, sino de posibilitar su correcta ejecución- con independencia del estilo propio con que el anfitrión desee impregnarlos- con la única limitación del cumplimiento de las normas y el respeto a las costumbres y tradiciones, el sentido común, el agrado de los invitados y el decoro de las instituciones y sus representantes.

EL PROTOCOLO EN LA ADMINISTRACION LOCAL

En un sentido amplio puede considerarse acto oficial toda actividad pública que realice una autoridad. Todo este conjunto de actividades públicas se materializan mediante la aplicación del Protocolo y las técnicas de la Etiqueta y el Ceremonial.

Las entidades locales son las instituciones públicas con mayor número y variedad de actos protocolarios (tomas de posesión; recepciones y audiencias; visitas de personalidades; primeras piedras; aperturas de calles; descubrimientos de placas; homenajes y entregas de distinciones; inauguraciones; organizaciones de jornadas, seminarios, congresos o ferias; presentaciones oficiales; firmas de convenios; procesiones y fiestas populares; etc..). Ello implica en muchos casos la asistencia de autoridades de diversa índole y la representación de distintos colectivos: sociales, empresariales, culturales…

Sin embargo, la regularización de la organización protocolaria en instituciones públicas es escasa, por lo que se hace preciso determinar con criterio y eficacia la ordenación en cualquier acto de las autoridades junto con otros posibles asistentes consiguiendo, además, contentar a todas las personas implicadas en ellos.

BANDERA NACIONAL DE PARAGUAY

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Julia Redick

El Pabellón de la República del Paraguay consiste en una bandera compuesta de tres franjas horizontales iguales: Colorada, blanca y azul, llevando en un lado, en el medio del escudo Nacional, de forma circular que se describe con una palma y olivo entrelazados en el vértice y abierto en la parte superior, resaltando en el medio de ellas una estrella y en la orla una inscripción que dice “República del Paraguay” y en el reverso en la misma posición un círculo con la inscripción distribuida “Paz y Justicia” figurando en el centro un león.
El escudo Oficial del anverso de nuestro Pabellón Patrio, carga además con una pieza honorífica de primer grado, cual es la Orla, pieza heráldica de dos círculos concéntricos, puesto dentro del escudo y separada de sus bordes por otra tanta distancia como ella tiene de ancho. En esta pieza heráldica nuestra Carta Magna manda a colocar el título nacional “República del Paraguay”.
La Orla significa protección honorífica al título nacional.
En el centro del escudo oficial trae una estrella de cinco puntas, simboliza la esperanza del buen suceso, aspiración a cosas superiores a acciones sublimes en bien de la patria, nobleza, lealtad, virtud, dulzura y dignidad.
La corona de ovación es símbolo de honor y de dignidad instituida al valor y hazañas del pueblo paraguayo compuesto de la palma que es símbolo de justicia, victoria, elocuencia, martirio y amor.
La oliva es símbolo de paz, fama, sabiduría, incorruptibilidad, y reconciliación.
República del Paraguay es la inscripción que representa a nuestro país y en su metal oro, se simboliza el poder, la grandeza de la nación, su esplendor, soberanía, pureza, gloria y prosperidad.
El círculo simboliza a Dios por no conocérsele el principio ni su fin.
El león simboliza la bravura, fuerza y grandeza de ánimo, soberanía, coraje, vigilancia generosidad y valor. Representa al soldado paraguayo, vigilante, bravo y dispuesto a defender su libertad.
La pica, es una de las más nobles armas ofensivas y es símbolo de virtud guerrera del pueblo paraguayo.
El gorro frigio, símbolo de la libertad y carácter republicano del pueblo paraguayo.
Paz y Justicia es la divisa que trasunta la concordia, tranquilidad, derecho, lealtad, e incorruptibilidad que favorece el desarrollo económico y social de nuestro pueblo.
Respecto al escudo reverso en nuestro pabellón que es de Hacienda así como el Escudo Oficial es representativo de la Nación Paraguaya, el del león aunque representa a la hacienda pública, simboliza la bravura, majestad, valor, vigilancia del pueblo paraguayo.
El Paraguay es el único país que tiene dos escudos nacionales, el Oficial en el anverso y el de Hacienda en el reverso.

Lic. Julia Redick
Directora
P.I.P.E.P.C.

Lei 5700 – Simbolos Nacionais

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Presidência da República
Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI No 5.700, DE 1 DE SETEMBRO DE 1971.

Dispõe sobre a forma e a apresentação dos Símbolos Nacionais, e dá outras providências
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
CAPÍTULO I
Disposição Preliminar
Art . 1º São Símbolos Nacionais:
I – a Bandeira Nacional;
II – o Hino Nacional;
III – as Armas Nacionais; e
IV – o Selo Nacional.(Redação dada pela Lei nº 8.421, de 11.5.1992)
CAPÍTULO II
Da forma dos Símbolos Nacionais
SEÇÃO I
Dos Símbolos em Geral
Art . 2º Consideram-se padrões dos Símbolos Nacionais os modelos compostos de conformidade com as especificações e regras básicas estabelecidas na presente lei.
SEÇÃO II
Da Bandeira Nacional
Art. 3° A Bandeira Nacional, adotada pelo Decreto n° 4, de 19 de novembro de 1889, com as modificações da Lei n° 5.443, de 28 de maio de 1968, fica alterada na forma do Anexo I desta lei, devendo ser atualizada sempre que ocorrer a criação ou a extinção de Estados. (Redação dada pela Lei nº 8.421, de 11.5.1992)
§1° As constelações que figuram na Bandeira Nacional correspondem ao aspecto do céu, na cidade do Rio de Janeiro, às 8 horas e 30 minutos do dia 15 de novembro de 1889 (doze horas siderais) e devem ser consideradas como vistas por um observador situado fora da esfera celeste. (Redação dada pela Lei nº 8.421, de 11.5.1992)
§2° Os novos Estados da Federação serão representados por estrelas que compõem o aspecto celeste referido no parágrafo anterior, de modo a permitir-lhes a inclusão no círculo azul da Bandeira Nacional sem afetar a disposição estética original constante do desenho proposto pelo Decreto n° 4, de 19 de novembro de 1889. (Redação dada pela Lei nº 8.421, de 11.5.1992)
§3° Serão suprimidas da Bandeira Nacional as estrelas correspondentes aos Estados extintos, permanecendo a designada para representar o novo Estado, resultante de fusão, observado, em qualquer caso, o disposto na parte final do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 8.421, de 11.5.1992)
Art . 4º A Bandeira Nacional em tecido, para as repartições públicas em geral, federais, estaduais, e municipais, para quartéis e escolas públicas e particulares, será executada em um dos seguintes tipos:
tipo 1, com um pano de 45 centímetros de largura; tipo 2, com dois panos de largura; tipo 3, três panos de largura; tipo 4 quatro panos de largura; tipo 5, cinco panos de largura; tipo 6, seis panos de largura; tipo 7, sete panos de largura.
Parágrafo único. Os tipos enumerados neste artigo são os normais. Poderão ser fabricados tipos extraordinários de dimensões maiores, menores ou intermediárias, conforme as condições de uso, mantidas, entretanto, as devidas proporções.
Art . 5º A feitura da Bandeira Nacional obedecerá às seguintes regras (Anexo nº 2):
I – Para cálculo das dimensões, tomar-se-á por base a largura desejada, dividindo-se esta em 14 (quatorze) partes iguais. Cada uma das partes será considerada uma medida ou módulo.
II – O comprimento será de vinte módulos (20M).
III – A distância dos vértices do losango amarelo ao quadro externo será de um módulo e sete décimos (1,7M).
IV – O círculo azul no meio do lasango amarelo terá o raio de três módulos e meio (3,5M).
V – O centro dos arcos da faixa branca estará dois módulos (2M) à esquerda do ponto do encontro do prolongamento do diâmetro vertical do círculo com a base do quadro externo (ponto C indicado no Anexo nº 2).
VI – O raio do arco inferior da faixa branca será de oito módulos (8M); o raio do arco superior da faixa branca será de oito módulos e meio (8,5M).
VII – A largura da faixa branca será de meio módulo (0,5M).
VIII – As letras da legenda Ordem e Progresso serão escritas em côr verde. Serão colocadas no meio da faixa branca, ficando, para cima e para baixo, um espaço igual em branco. A letra P ficará sôbre o diâmetro vertical do círculo. A distribuição das demais letras far-se-á conforme a indicação do Anexo nº 2. As letras da palavra Ordem e da palavra Progresso terão um têrço de módulo (0,33M) de altura. A largura dessas letras será de três décimos de módulo (0,30M). A altura da letra da conjunção E será de três décimos de módulo (0,30M). A largura dessa letra será de um quarto de módulo (0,25M).
IX – As estrêlas serão de 5 (cinco) dimensões: de primeira, segunda, terceira, quarta e quinta grandezas. Devem ser traçadas dentro de círculos cujos diâmetros são: de três décimos de módulo (0,30M) para as de primeira grandeza; de um quarto de módulo (0,25M) para as de segunda grandeza; de um quinto de módulo (0,20M) para as de terceira grandeza; de um sétimo de módulo (0,14M) para as de quarta grandeza; e de um décimo de módulo (0,10M) para a de quinta grandeza.
X – As duas faces devem ser exatamente iguais, com a faixa branca inclinada da esquerda para a direita (do observador que olha a faixa de frente), sendo vedado fazer uma face como avêsso da outra.
SEÇÃO III
Do Hino Nacional
Art . 6º O Hino Nacional é composto da música de Francisco Manoel da Silva e do poema de Joaquim Osório Duque Estrada, de acôrdo com o que dispõem os Decretos nº 171, de 20 de janeiro de 1890, e nº 15.671, de 6 de setembro de 1922, conforme consta dos Anexos números 3, 4, 5, 6, e 7.
Parágrafo único. A marcha batida, de autoria do mestre de música Antão Fernandes, integrará as instrumentações de orquestra e banda, nos casos de execução do Hino Nacional, mencionados no inciso I do art. 25 desta lei, devendo ser mantida e adotada a adaptação vocal, em fá maior, do maestro Alberto Nepomuceno.
SEÇÃO IV
Das Armas Nacionais
Art . 7º As Armas Nacionais são as instituídas pelo Decreto nº 4 de 19 de novembro de 1889 com a alteração feita pela Lei nº 5.443, de 28 de maio de 1968 (Anexo nº 8).
Art . 8º A feitura das Armas Nacionais deve obedecer à proporção de 15 (quinze) de altura por 14 (quatorze) de largura, e atender às seguintes disposições:
I – o escudo redondo será constituído em campo azul-celeste, contendo cinco estrelas de prata, dispostas na forma da constelação Cruzeiro do sul, com a bordadura do campo perfilada de ouro, carregada de estrelas de prata em número igual ao das estrelas existentes na Bandeira Nacional; (Redação dada pela Lei nº 8.421, de 11.5.1992))
II – O escudo ficará pousado numa estrêla partida-gironada, de 10 (dez) peças de sinopla e ouro, bordada de 2 (duas) tiras, a interior de goles e a exterior de ouro.
III – O todo brocante sôbre uma espada, em pala, empunhada de ouro, guardas de blau, salvo a parte do centro, que é de goles e contendo uma estrêla de prata, figurará sôbre uma coroa formada de um ramo de café frutificado, à destra, e de outro de fumo florido, à sinistra, ambos da própria côr, atados de blau, ficando o conjunto sôbre um resplendor de ouro, cujos contornos formam uma estrêla de 20 (vinte) pontas.
IV – Em listel de blau, brocante sôbre os punhos da espada, inscrever-se-á, em ouro, a legenda República Federativa do Brasil, no centro, e ainda as expressões “15 de novembro”, na extremidade destra, e as expressões “de 1889″, na sinistra.
SEÇÃO V
Do Sêlo Nacional
Art . 9º O Sêlo Nacional será constituído, de conformidade com o Anexo nº 9, por um círculo representando uma esfera celeste, igual ao que se acha no centro da Bandeira Nacional, tendo em volta as palavras República Federativa do Brasil. Para a feitura do Sêlo Nacional observar-se-á o seguinte:
I – Desenham-se 2 (duas) circunferências concêntricas, havendo entre os seus raios a proporção de 3 (três) para 4 (quatro).
II – A colocação das estrêlas, da faixa e da legenda Ordem e Progresso no círculo inferior obedecerá as mesmas regras estabelecidas para a feitura da Bandeira Nacional.
III – As letras das palavras República Federativa do Brasil terão de altura um sexto do raio do círculo interior, e, de largura, um sétimo do mesmo raio.
CAPíTULO III
Da Apresentação dos Símbolos Nacionais
SEÇÃO I
Da Bandeira Nacional
Art . 10. A Bandeira Nacional pode ser usada em tôdas as manifestações do sentimento patriótico dos brasileiros, de caráter oficial ou particular.
Art . 11. A Bandeira Nacional pode ser apresentada:
I – Hasteada em mastro ou adriças, nos edifícios públicos ou particulares, templos, campos de esporte, escritórios, salas de aula, auditórios, embarcações, ruas e praças, e em qualquer lugar em que lhe seja assegurado o devido respeito;
II – Distendida e sem mastro, conduzida por aeronaves ou balões, aplicada sôbre parede ou prêsa a um cabo horizontal ligando edifícios, árvores, postes ou mastro;
III – Reproduzida sôbre paredes, tetos, vidraças, veículos e aeronaves;
IV – Compondo, com outras bandeiras, panóplias, escudos ou peças semelhantes;
V – Conduzida em formaturas, desfiles, ou mesmo individualmente;
VI – Distendida sôbre ataúdes, até a ocasião do sepultamento.
Art . 12. A Bandeira Nacional estará permanentemente no tôpo de um mastro especial plantado na Praça dos Três Podêres de Brasília, no Distrito Federal, como símbolo perene da Pátria e sob a guarda do povo brasileiro.
§ 1º A substituição dessa Bandeira será feita com solenidades especiais no 1º domingo de cada mês, devendo o novo exemplar atingir o topo do mastro antes que o exemplar substituído comece a ser arriado.
§ 2º Na base do mastro especial estarão inscritos exclusivamente os seguintes dizeres:
Sob a guarda do povo brasileiro, nesta Praça dos Três Podêres, a Bandeira sempre no alto.
- visão permanente da Pátria.
Art . 13. Hasteia-se diàriamente a Bandeira Nacional e a do MERCOSUL
I – No Palácio da Presidência da República e na residência do Presidente da República;
II – Nos edifícios-sede dos Ministérios;
III – Nas Casas do Congresso Nacional;
IV – No Supremo Tribunal Federal, nos Tribunais Superiores, nos Tribunais Federais de Recursos e nos Tribunais de Contas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; (Redação dada pela Lei nº 5.812, de 13.10.1972)
V – Nos edifícios-sede dos podêres executivo, legislativo e judiciário dos Estados, Territórios e Distrito Federal;
VI – Nas Prefeituras e Câmaras Municipais;
VII – Nas repartições federais, estaduais e municipais situadas na faixa de fronteira;
VIII – Nas Missões Diplomáticas, Delegações junto a Organismo Internacionais e Repartições Consulares de carreira, respeitados os usos locais dos países em que tiverem sede.
IX – Nas unidades da Marinha Mercante, de acôrdo com as Leis e Regulamentos da navegação, polícia naval e praxes internacionais.
Art . 14. Hasteia-se, obrigatòriamente, a Bandeira Nacional, nos dias de festa ou de luto nacional, em tôdas as repartições públicas, nos estabelecimentos de ensino e sindicatos.
Parágrafo único. Nas escolas públicas ou particulares, é obrigatório o hasteamento solene da Bandeira Nacional, durante o ano letivo, pelo menos uma vez por semana.
Art . 15. A Bandeira Nacional pode ser hasteada e arriada a qualquer hora do dia ou da noite.
§ 1º Normalmente faz-se o hasteamento às 8 horas e o arriamento às 18 horas.
§ 2º No dia 19 de novembro, Dia da Bandeira, o hasteamento é realizado às 12 horas, com solenidades especiais.
§ 3º Durante a noite a Bandeira deve estar devidamente iluminada.
Art . 16. Quando várias bandeiras são hasteadas ou arriadas simultâneamente, a Bandeira Nacional é a primeira a atingir o tope e a ultima a dêle descer.
Art . 17. Quando em funeral, a Bandeira fica a meio-mastro ou a meia-adriça. Nesse caso, no hasteamento ou arriamento, deve ser levada inicialmente até o tope.
Parágrafo único. Quando conduzida em marcha, indica-se o luto por um laço de crepe atado junto à lança.
Art . 18. Hasteia-se a Bandeira Nacional em funeral nas seguintes situações, desde que não coincidam com os dias de festa nacional:
I – Em todo o País, quando o Presidente da República decretar luto oficial;
II – Nos edifícios-sede dos podêres legislativos federais, estaduais ou municipais, quando determinado pelos respectivos presidentes, por motivo de falecimento de um de seus membros;
III – No Supremo Tribunal Federal, nos Tribunais Superiores, nos Tribunais Federais de Recursos, nos Tribunais de Contas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e nos Tribunais de Justiça estaduais, quando determinado pelos respectivos presidentes, pelo falecimento de um de seus ministros, desembargadores ou conselheiros.(Redação dada pela Lei nº 5.812, de 13.10.1972)
IV – Nos edifícios-sede dos Governos dos Estados, Territórios, Distrito Federal e Municípios, por motivo do falecimento do Governador ou Prefeito, quando determinado luto oficial pela autoridade que o substituir;
V – Nas sedes de Missões Diplomáticas, segundo as normas e usos do país em que estão situadas.
Art . 19. A Bandeira Nacional, em tôdas as apresentações no território nacional, ocupa lugar de honra, compreendido como uma posição:
I – Central ou a mais próxima do centro e à direita dêste, quando com outras bandeiras, pavilhões ou estandartes, em linha de mastros, panóplias, escudos ou peças semelhantes;
II – Destacada à frente de outras bandeiras, quando conduzida em formaturas ou desfiles;
III – A direita de tribunas, púlpitos, mesas de reunião ou de trabalho.
Parágrafo único. Considera-se direita de um dispositivo de bandeiras a direita de uma pessoa colocada junto a êle e voltada para a rua, para a platéia ou de modo geral, para o público que observa o dispositivo.
Art . 20. A Bandeira Nacional, quando não estiver em uso, deve ser guardada em local digno.
Art . 21. Nas repartições públicas e organizações militares, quando a Bandeira é hasteada em mastro colocado no solo, sua largura não deve ser maior que 1/5 (um quinto) nem menor que 1/7 (um sétimo) da altura do respectivo mastro.
Art . 22. Quando distendida e sem mastro, coloca-se a Bandeira de modo que o lado maior fique na horizontal e a estrela isolada em cima, não podendo ser ocultada, mesmo parcialmente, por pessoas sentadas em suas imediações.
Art . 23. A Bandeira Nacional nunca se abate em continência.
SEÇÃO II
Do Hino Nacional
Art . 24. A execução do Hino Nacional obedecerá às seguintes prescrições:
I – Será sempre executado em andamento metronômico de uma semínima igual a 120 (cento e vinte);
II – É obrigatória a tonalidade de si bemol para a execução instrumental simples;
III – Far-se-á o canto sempre em uníssono;
IV – Nos casos de simples execução instrumental tocar-se-á a música integralmente, mas sem repetição; nos casos de execução vocal, serão sempre cantadas as duas partes do poema;
V – Nas continências ao Presidente da República, para fins exclusivos do Cerimonial Militar, serão executados apenas a introdução e os acordes finais, conforme a regulamentação específica.
Art . 25. Será o Hino Nacional executado:
I – Em continência à Bandeira Nacional e ao Presidente da República, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal, quando incorporados; e nos demais casos expressamente determinados pelos regulamentos de continência ou cerimônias de cortesia internacional;
II – Na ocasião do hasteamento da Bandeira Nacional, previsto no parágrafo único do art. 14.
§ 1º A execução será instrumental ou vocal de acôrdo com o cerimonial previsto em cada caso.
§ 2º É vedada a execução do Hino Nacional, em continência, fora dos casos previstos no presente artigo.
§ 3º Será facultativa a execução do Hino Nacional na abertura de sessões cívicas, nas cerimônias religiosas a que se associe sentido patriótico, no início ou no encerramento das transmissões diárias das emissoras de rádio e televisão, bem assim para exprimir regozijo público em ocasiões festivas.
§ 4º Nas cerimônias em que se tenha de executar um Hino Nacional Estrangeiro, êste deve, por cortesia, preceder o Hino Nacional Brasileiro.
SEÇÃO III
Das Armas Nacionais
Art . 26. É obrigatório o uso das Armas Nacionais:
I – No Palácio da Presidência da República e na residência do Presidente da República;
II – Nos edifícios-sede dos Ministérios;
III – Nas Casas do Congresso Nacional;
IV – No Supremo Tribunal Federal, nos Tribunais Superiores e nos Tribunais Federais de Recursos;
V – Nos edíficios-sede dos poderes executivo, legislativo e judiciário dos Estados, Territórios e Distrito Federal;
VI – Nas Prefeituras e Câmaras Municipais;
VII – Na frontaria dos edifícios das repartições públicas federais;
VIII – nos quartéis das forças federais de terra, mar e ar e das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, nos seus armamentos, bem como nas fortalezas e nos navios de guerra; (Redação dada pela Lei nº 8.421, de 11.5.1992)
IX – Na frontaria ou no salão principal das escolas públicas;
X – Nos papéis de expediente, nos convites e nas publicações oficiais de nível federal.
SEÇÃO IV
Do Selo Nacional
Art . 27. O Selo Nacional será usado para autenticar os atos de governo e bem assim os diplomas e certificados expedidos pelos estabelecimentos de ensino oficiais ou reconhecidos.
CAPíTULO IV
Das Côres Nacionais
Art . 28. Consideram-se côres nacionais o verde e o amarelo.
Art . 29. As Côres nacionais podem ser usadas sem quaisquer restrições, inclusive associadas a azul e branco.
CAPíTULO V
Do respeito devido à Bandeira Nacional e ao Hino Nacional
Art . 30. Nas cerimônias de hasteamento ou arriamento, nas ocasiões em que a Bandeira se apresentar em marcha ou cortejo, assim como durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio, o civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, segundo os regulamentos das respectivas corporações.
Parágrafo único. É vedada qualquer outra forma de saudação.
Art . 31. São consideradas manifestações de desrespeito à Bandeira Nacional, e portanto proibidas:
I – Apresentá-la em mau estado de conservação.
II – Mudar-lhe a forma, as cores, as proporções, o dístico ou acrescentar-lhe outras inscrições;
III – Usá-la como roupagem, reposteiro, pano de boca, guarnição de mesa, revestimento de tribuna, ou como cobertura de placas, retratos, painéis ou monumentos a inaugurar;
IV – Reproduzi-la em rótulos ou invólucros de produtos expostos à venda.
Art . 32. As Bandeiras em mau estado de conservação devem ser entregues a qualquer Unidade Militar, para que sejam incineradas no Dia da Bandeira, segundo o cerimonial peculiar.
Art . 33. Nenhuma bandeira de outra nação pode ser usada no País sem que esteja ao seu lado direito, de igual tamanho e em posição de realce, a Bandeira Nacional, salvo nas sedes das representações diplomáticas ou consulares.
Art . 34. É vedada a execução de quaisquer arranjos vocais do Hino Nacional, a não ser o de Alberto Nepomuceno; igualmente não será permitida a execução de arranjos artísticos instrumentais do Hino Nacional que não sejam autorizados pelo Presidente da República, ouvido o Ministério da Educação e Cultura.
CAPíTULO VI
Das Penalidades
Art. 35 – A violação de qualquer disposição desta Lei, excluídos os casos previstos no art. 44 do Decreto-lei nº 898, de 29 de setembro de 1969, é considerada contravenção, sujeito o infrator à pena de multa de uma a quatro vezes o maior valor de referência vigente no País, elevada ao dobro nos casos de reincidência. (Redação dada pela Lei nº 6.913, de 27.5.1981
Art. 36 – O processo das infrações a que alude o artigo anterior obedecerá ao rito previsto para as contravenções penais em geral. (Redação dada pela Lei nº 6.913, de 27.5.1981)
CAPíTULO VII
Disposições Gerias
Art . 37. Haverá nos Quartéis-Generais das Forças Armadas, na Casa da Moeda, na Escola Nacional de Música, nas embaixadas, legações e consulados do Brasil, nos museus históricos oficiais, nos comandos de unidades de terra, mar e ar, capitanias de portos e alfândegas, e nas prefeituras municipais, uma coleção de exemplares-padrão dos Símbolos Nacionais, a fim de servirem de modelos obrigatórios para a respectiva feitura, constituindo o instrumento de confronto para a aprovação dos exemplares destinados à apresentação, procedam ou não da iniciativa particular.
Art . 38. Os exemplares da Bandeira Nacional e das Armas Nacionais não podem ser postos à venda, nem distribuídos gratuitamente sem que tragam na tralha do primeiro e no reverso do segundo a marca e o enderêço do fabricante ou editor, bem como a data de sua feitura.
Art . 39. É obrigatório o ensino do desenho e do significado da Bandeira Nacional, bem como do canto e da interpretação da letra do Hino Nacional em todos os estabelecimentos de ensino, públicos ou particulares, do primeiro e segundo graus.
Art . 40. Ninguém poderá ser admitido no serviço público sem que demonstre conhecimento do Hino Nacional.
Art . 41. O Ministério da Educação e Cultura fará a edição oficial definitiva de tôdas as partituras do Hino Nacional e bem assim promoverá a gravação em discos de sua execução instrumental e vocal, bem como de sua letra declamada.
Art . 42. Incumbe ainda ao Ministério da Educação e Cultura organizar concursos entre autores nacionais para a redução das partituras de orquestras do Hino Nacional para orquestras restritas.
Art . 43. O Poder Executivo regulará os pormenores de cerimonial referentes aos Símbolos Nacionais.
Art . 44. O uso da Bandeira Nacional nas Forças Armadas obedece as normas dos respectivos regulamentos, no que não colidir com a presente Lei.
Art . 45. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas a de nº 5.389, de 22 de fevereiro de 1968, a de nº 5.443, de 28 de maio de 1968, e demais disposições em contrário.
Brasília, 1 de setembro de 1971; 150º da Independência e 83º da República.
EMíLIO G. MéDICI
Alfredo Buzaid
Adalberto de Barros Nunes
Orlando Geisel
Mário Gibson Barboza
Antonio Delfim Netto
Mário David Andreazza
L. F. Cirne Lima
Jarbas G. Passarinho
Júlio Barata
Márcio de Souza e Mello
F. Rocha Lagôa
Marcus Vinícius Pratini de Moraes
Antônio Dias Leite Júnior
João Paulo dos Reis Velloso
José Costa Cavalcanti
Hygino C. Corsetti
Este texto não substitui o Publicado no D.O.U de 2.9.1971
Nota: Os Anexos 1, 2, 8 e 9, desta Lei foram substituídos pelos anexos da Lei n° 8.421, de 11 de maio de 1992, com igual numeração.

Recebendo visitantes chineses: dez erros a evitar

segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Por: Isabel Amaral
Presidente da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo
«A atenção crescente que se vem prestando ao valor das relações humanas, dos seus requisitos, manifestações e rituais levou a um interesse ainda maior pelas questões do protocolo, traduzido no número crescente de empresas que recorrem à consultoria nesta área antes de lançarem os seus quadros num novo mercado.
Cada mercado tem as suas leis e tentar entrar num mercado diferente sem conhecer as regras do jogo é o mesmo que decidir sentar-se a uma mesa de “bridge” pensando que o jogo não deve ser muito diferente da “canasta”. Ora a diferença é abissal. Ignorá-la é abrir a porta a humilhações e derrotas que podem, e devem, ser evitadas»
«A cultura permite organizar a actividade do grupo e, sobretudo, permite prever o comportamento de vários elementos do grupo. Conhecendo as regras do jogo é mais fácil as pessoas desse grupo relacionarem-se entre si e viver em harmonia e segurança. Como a cultura de um grupo inclui um sistema de valores e esse sistema contém sempre uma imagem da sua própria excelência, as interferências mais difíceis de eliminar são, de facto, as sociais ou culturais.
Quando se ultrapassam as fronteiras do grupo, quando se tenta estabelecer uma comunicação inter-cultural, as crenças são desafiadas. Confrontados com um sistema de valores diferente, os elementos do grupo ficam desnorteados e sentem-se ameaçados.»
Lidar com visitantes que têm hábitos e culturas muito diferentes das nossas não é, por isso, tarefa fácil. Ainda que nos tenham assegurado que a globalização ia transformar o vasto mundo numa pequena aldeia, persistem distâncias, diferenças e dificuldades que é preciso ultrapassar para se obterem os resultados desejados.
Um dos problemas é o da língua. O chinês é uma língua extremamente difícil. Apesar de haver uma língua escrita, que todos conseguem ler, em cada região se lê de maneira diferente e nem os chineses se entendem a falar entre si. Claro que a comunicação é sempre possível entre pessoas que falam línguas diferentes, por intermédio de um intérprete. Mas na China nunca saberá se o que disse foi bem traduzido.
Para além da língua, há outros problemas – problemas culturais – que persistem mesmo se as fronteiras entre os países são cada vez mais ténues. Cada povo tem a sua maneira de ser, o seu modo de vida, os seus usos e costumes, os seus valores e as suas convicções, a sua identidade cultural. E essa identidade condiciona sempre a comunicação entre pessoas oriundas de países muito diferentes.
«É óbvio que não é com algumas linhas sobre diferenças culturais que se fica a conhecer determinada realidade com profundidade e correcção. É impossível conhecer plenamente uma cultura através da mera memorização do código de valores predominante. E, mesmo que fosse possível enumerar todos os tabus e todas as regras de conduta de um país, não haveria ainda assim um conhecimento pleno desse país. Toda a gente sabe que não é apenas decorando dicionários e gramáticas que se aprende a falar bem uma língua estrangeira.»
Mas o conhecimento e, sobretudo, o respeito das diferenças, que separam povos e nações, culturas e continentes, ajudam a garantir o sucesso da organização de actos multiculturais. Estes são os dez erros a evitar quando lidar com entidades chinesas:
1. Nunca perder a face
2. Não criticar ninguém
3. Não ter pressa nem mostrar impaciência
4. Não fazer gafes
5. Não elogiar em excesso
6. Não usar linguagem corporal errada
7. Não invadir a bolha de privacidade
8. Não se engane na fórmula de tratamento
9. Não ignorar a etiqueta à mesa
10. Não quebrar tabus nem superstições
___________________________________
1. Nunca perder a face
A característica mais importante da cultura chinesa é a preocupação confucionista de «não perder a face». (mianzi). Quem perde a face (ou a imagem positiva de si próprio) está perdido. Mas quem fez perder a face a um asiático também não fica melhor. Nunca critique nem ponha em causa ninguém em público.
As perguntas devem ser formuladas cuidadosamente: «sim, não ou não sabe?». Os chineses não gostam de dizer que não para não perderem a face nem o fazerem a si perder a face. Se lhe responderem duas vezes que «é inconveniente», mais vale não insistir…
Revelar desconhecimento é uma vergonha. Para não «perder a face», nenhum chinês confessará, por exemplo, que não percebe o que lhe está a dizer. Não pergunte ao taxista se sabe onde é o sítio X. Ele acenará com a cabeça e leva-o para onde calhar. Mais vale pedir no hotel para lhe escreverem a direcção do seu encontro numa folha de papel.
Em contrapartida, pode pedir desculpa se se enganar. Na China, um pedido de desculpas por um engano não é uma admissão de culpa e não faz perder a face: é considerado uma virtude ser o primeiro a fazê-lo, a fim de amenizar qualquer situação desagradável. A humildade, sinceridade e a cortesia são valores muito apreciados pelos chineses.
Em resumo, guardar a face e nunca fazer perder a face dos seus interlocutores é a regra de ouro. Fazer perder a face de alguém em frente do grupo, seja criticando, seja desrespeitando, seja insultando, é um erro lamentável e que impedirá a cooperação a partir desse momento. Mas, se pelo contrário, valorizar alguém à frente dos superiores isso será muito positivo. Na China, dá prestigio contribuir para o prestígio dos outros.
2. Não criticar ninguém
Uma das maiores dificuldades da comunicação inter-cultural é que todas as culturas se acham superiores às outras. Por isso é tão difícil para quem se encontra inserido num sistema de valores ocidentais perceber um sistema de valores orientais: «para quê perder tanto tempo?» Ou: «para que são necessários tantas vénias?». Mesmo questionando os valores das outras culturas, ninguém deve menosprezar o facto de que a cultura tem uma influência profunda na comunicação com chineses.
É importante perceber que o continente asiático é muito influenciado pelo confucionismo, enquanto no Ocidente prevalece o humanismo. Ou seja, os ocidentais são mais individualistas e os orientais mais colectivistas. Esta filosofia de vida influencia qualquer negociação: o que interessa é o bem do grupo ou da organização.
Na China não se tomam decisões durante as negociações mas apenas em círculo fechado. Quem intervém durante a negociação não é a mesma pessoa que toma a decisão final e que assistiu à troca de argumentos com ar impenetrável, acenando a cabeça como se concordasse com tudo e o seu contrário. Na condução das negociações, os asiáticos são vagos, subtis e ambíguos por oposição à maioria dos ocidentais, habituados a um estilo mais directo, inequívoco e preciso.
Em O Mandarim de Eça de Queiroz, Teodoro descrevia de forma caricatural os chineses: «Amor dos cerimoniais meticulosos, o respeito burocrático das fórmulas, uma ponta de cepticismo letrado e também um abjecto terror do imperador, o ódio ao estrangeiro, o culto dos antepassados, o fanatismo da tradição, o gosto das coisas açucaradas». Na China, os rituais, a etiqueta e o protocolo continuam a ser fundamentais enquanto que noutras paragens, mais a ocidente, são considerados coisas do passado.
Não critique nada nem ninguém. Mais vale mudar de assunto quando não concordar e nunca deve irritar-se com demoras ou imprecisões. Por outro lado, criticar em público um elemento da sua equipa ou dizer mal do seu país também é muito mal visto. Quando um elemento do grupo cai em desgraça arrasta todo o grupo com ele. Trata-se mais uma vez da busca confucionista da harmonia e da necessidade de não fazer perder a face a ninguém.
Se lhe desapareceu qualquer coisa, nunca acuse ninguém nem diga que foi roubado. Mas, se se mostrar contristado e disser que não consegue encontrar o seu telemóvel, ou um objecto que herdou dos seus antepassados, ele talvez volte a aparecer…
3. Não ter pressa nem mostrar impaciência
Para o norte americanos, “tempo é dinheiro”. Para os chineses, “tempo é tempo” e “dinheiro é dinheiro”. Na China acredita-se que a paciência é sinónimo de um carácter forte, sendo um valor acrescentado em qualquer negócio. Ninguém vai direito ao assunto, antes de muitos acenos, rodeios, formalidades e evasivas. Os chineses cultivam os silêncios e as pausas enquanto ponderam.
Os chineses dizem que os ocidentais estão sempre cheios de pressa e que preferem levar o contrato já assinado, mesmo que essa assinatura aconteça em cima do momento da partida, sem que tenha havido tempo para rever todos os pormenores. Por serem negociadores astutos e perseverantes, prolongam as negociações ao máximo e controlam o tempo e o rimo ao longo de todo o processo.
Os chineses podem até assinar o contrato, mas é depois da assinatura que começam as verdadeiras negociações. Assinar um contrato para um chinês significa apenas que estabeleceu um relacionamento pessoal (guan xi) com o outro signatário e que, a partir desse momento, ambos podem pedir e esperar receber favores um do outro. Quando se consegue estabelecer este relacionamento pessoal, não se deve mudar de interlocutor. Se o fizer, a relação comercial começa do zero.
“Guanxi” é uma expressão fundamental, que designa a complexa rede de relações indispensáveis ao funcionamento social, político e organizacional na China. No relacionamento com chineses há como que uma conta corrente que deve estar sempre equilibrada. Se lhe dão um presente, deve retribuir; se o convidam, deve fazer o mesmo. Se pedir um favor, vai contrair uma obrigação.
Não tente queimar etapas e apresentar-se directamente a um chinês. É preferível ser apresentado por um conhecimento comum. Para um chinês o conhecimento pessoal, a ética e a confiança são fundamentais.
4. Não fazer gafes
As comparações são sempre de evitar. Mas confundir a cultura chinesa com a japonesa é uma gafe imperdoável. Os chineses orgulham-se de ser a civilização mais antiga do mundo, com mais de quatro mil anos de história. Consideram que as grandes invenções são feitas por chineses e que os japoneses se limitam a introduzir alterações mas não conseguem inventar nada. E, de facto, foram os chineses que inventaram a pólvora (além do papel, do compasso, da bússola, da impressão de livros, etc.).
Em relação aos rituais, convém informar-se antes do que deve ou não deve ser feito para granjear a boa vontade dos seus interlocutores. O protocolo de qualquer negociação é muito rígido: a delegação visitante deve entrar a sala precedida pelo chefe da delegação. Este deve começar por cumprimentar na sala o líder ou a pessoa mais velha. A cultura chinesa trata com deferência as pessoas mais velhas e por isso a fila para os cumprimentos, mesmo que se trate apenas de uma reunião de negócios, é sempre alinhada a partir do líder ou da pessoa mais velha até aos mais novos. O chefe da delegação costuma ficar sentado no topo da mesa virado para a porta.
As negociações são longas e precedidas de muito chá e simpatia. Deve esperar que o seu anfitrião o interrogue sobre o que quer falar antes de entrar no assunto. As mulheres estão plenamente emancipadas e, ao contrário do que sucede no Japão, as suas opiniões são tidas em conta. Muitas ocupam cargos de decisão, sendo tratadas de acordo com a sua posição hierárquica.
Se levar uma equipa para as negociações (e deve fazê-lo para não ficar em desvantagem), tenha a preocupação de hierarquizar os seus membros, para facilitar a colocação à mesa. Se forem todos do mesmo nível, o critério será a idade. Os membros da sua delegação devem ter o mesmo estatuto hierárquico da delegação chinesa. E é preferível haver um porta-voz, para que nenhum membro da delegação contradiga o que outro já disse.
5. Não elogiar em excesso
A humildade e a modéstia são virtudes muito apreciadas pelos chineses, que reagem mal quando os elogiamos. Aceite com humildade os elogios, se os fizerem, dizendo sempre que não é merecedor e não elogie nenhuma parte do corpo de um chinês.
Ao entregar a sua oferta deve sempre pedir desculpa pela modéstia da mesma, que não é digna da pessoa que a vai receber. É tradicional, na cultura chinesa, pedir desculpa pela modéstia da oferta mesmo que esta seja magnífica. Uma médica chinesa a trabalhar em Portugal convidou uns amigos para jantar. Quando os convidados chegaram, ela desfez-se em desculpas por não ter grande coisa para lhes oferecer. Eles acharam que deviam desdramatizar e ofereceram-se para a levar a jantar fora. O quiproquó só se desfez quando passaram para a sala de jantar e viram o “banquete”, que ela passara a tarde a preparar.
6. Não usar linguagem corporal errada
Os chineses dizem que os ocidentais são muito superficiais, porque acreditam naquilo que os outros dizem. Mais importante do que aquilo que se diz para os chineses é a forma como se diz. E também aquilo que não se diz.
Mesmo que haja um intérprete, não deve falar a olhar para o intérprete, mas para o chefe da delegação chinesa. Não o ignore, mesmo que ele não perceba uma palavra de português, fale na direcção dele e olhe para ele discretamente, enquanto o intérprete traduz.
Esteja muito atento à linguagem corporal e saiba que, se o seu interlocutor abanar a cabeça enquanto o ouve, isso significa apenas que ele o está a ouvir. Os chineses cultivam o silêncio e a arte de «mascar sementes de girassol», ou seja, ter tempo para ponderar, meditar e compreender antes de tomar qualquer decisão.
Não basta por isso ter cuidado com o que se diz – mas também com o que se faz. Na maior parte dos países apontar com um dedo ou andar com as mãos nos bolsos é sinal de má educação. Mas na China, além destes gestos, também se deve evitar tocar no braço do interlocutor.
Por outro lado, tudo o que se ouviu dizer, a ocidente, sobre a importância de manter o contacto visual, deve ser esquecido. Na China nunca deve olhar fixamente para os olhos da pessoa com quem se fala. A menos que o propósito seja embaraçá-la. O sorriso naquelas paragens não é sinal de alegria ou simpatia, mas de constrangimento. E olhar fixamente para os olhos do seu interlocutor pode ser interpretado como um confronto hostil.
Nunca se irrite nem levante a voz. As confrontações são de evitar, o objectivo a atingir é sempre o consenso e a harmonia. Se tiver de transmitir más noticia use um intermediário. A harmonia é um valor a preservar em todas as circunstâncias.
7. Não invadir a bolha de privacidade
A antiga etiqueta chinesa proibia qualquer contacto físico e os chineses continuam a cultivar a distância física. Hoje dão apertos de mão aos estrangeiros mas apenas ao serem-lhe apresentados. O aperto de mão não é enérgico mas leve e mais prolongado do que o ocidental. Apertam a mão e inclinam a cabeça ao mesmo tempo. E entre eles continuam a utilizar o “kow tow”, as três vénias. A vénia é uma demonstração de respeito pela pessoa que cumprimenta.
A demonstração pública de afecto entre pessoas de sexo diferente ainda continua a ser rara. Evite abraços, palmadas nas costas e grandes efusões de alegria. Mantenha a distância e evite tocar no braço do seu interlocutor mesmo quando lhe tem de indicar o caminho.
8. Não se engane na fórmula de tratamento
A língua oficial é o chinês, baseado no dialecto mandarim. Mas muitos chineses falam outros dialectos, como o cantonês. È aconselhável aprender algumas expressões mas tenha cuidado ao utilizá-las. Há uma forma de dizer« bom dia» conforme se dirige a um superior ou um inferior hierárquico, uma pessoa mais velha ou mais nova, etc. Além disso na língua chinesa não existem tempos de verbos e é preciso ter cuidado com as traduções. É necessário juntar expressões como “agora”, “amanhã” ou “ontem” ao verbo “comprar”, por exemplo, para se perceber se ”está a pensar comprar” “comprou”, “vai comprar” ou “está a comprar”. Use um tradutor qualificado: cada palavra chinesa pode ter muitos significados dependendo do tom em que é dita.
Os chineses apreciam muito os títulos (Director, Engenheiro, Presidente, etc.) seguidos do sobrenome. Apesar da China ser um regime comunista, não deve tratar ninguém por Camarada, a não ser que pertença ao Partido Comunista. Os chineses tratam-se pelo sobrenome e nunca pelo nome próprio ou alcunha. Só os amigos íntimos e familiares é que se tratam pelo nome próprio.
Os sobrenomes chineses vêm à frente do nome, diferenciando-se de Portugal e do Brasil, onde o sobrenome vem após o nome. Mais um reflexo da cultura colectivista chinesa: o nome de família é mais importante do que o nome individual e por isso aparece primeiro. Muitas vezes há um nome geracional que pode aparecer ligado por um hífen ao nome próprio ou separadamente Li (sobrenome) Huang (geracional) Fung (nome próprio) ou Li Huang-fung. Li é o sobrenome mais comum na China e significa «ameixieira».
Ao falar com uma pessoa mais velha, é sinal de respeito anteceder o apelido de «lao» (velho). O respeito pelos mais velhos faz com que a idade seja mais importante do que a hierarquia ou o sexo: apresenta-se sempre a pessoa mais nova à mais velha, seja homem ou mulher. Numa auto-apresentação, a iniciativa deve partir do mais importante. Deve indicar, além do nome, o cargo, título académico, etc.
Leve muitos cartões de visita, se possível escritos nas duas línguas. É um instrumento de trabalho indispensável. Não abrevie nada e inclua o seu cargo ou posição dentro da empresa. Se o logótipo da sua empresa for dourado, isso será muito apreciado por ser sinal de prestígio.
O cartão será observado com toda a atenção, visto tratar-se de um país onde se cultiva a hierarquia. Entrega-se segurando com as duas mãos e virado de modo a que o seu interlocutor possa ler o seu nome (de preferência escrito em mandarim ou cantonês). Se o seu interlocutor lhe entregar o cartão de visita dele, observe-o atentamente, pois ele representa a pessoa que está na sua frente, e coloque-o em cima da mesa em local visível para futura referência e nunca no bolso. Para um ocidental, o cartão é apenas um papel, mas para um chinês é um documento importante.
9. Não ignorar a etiqueta à mesa
É muito importante ser pontual: a pontualidade representa o respeito pelo compromisso assumido. Desmarcar em cima da hora é falta de respeito em qualquer lado, mas, na China, é uma ofensa gravíssima.
O convite para um jantar deve ser repetido três vezes até ser aceite. Não é costume convidar para casa e sim para restaurantes e deve retribuir convidando para o restaurante do seu hotel. O anfitrião chinês senta-se junto da porta para dar ordens aos empregados e cede a presidência ao convidado de honra, que fica sentado no topo da mesa, virado de frente para a porta. Ao chegar junto da porta não deve passar automaticamente à frente do seu anfitrião mesmo que ele lhe faça sinal para passar. É de bom tom recusar três vezes a passagem e depois fazê-lo, agradecendo.
Em caso de dúvida, mais vale perguntar. Não se guie pelo instinto. Aquilo que é considerado boas maneiras num país pode ser ofensivo no país vizinho. Em relação ao comportamento à mesa, por exemplo, há gestos, ruídos, atitudes que os ocidentais teriam dificuldade em aceitar mas que são comuns na China.
Não peça água, pois é considerado um insulto não beber vinho. Se for abstémio, mais vale dizer que está proibido pelo seu médico de tocar numa gota de álcool ou que está a tomar antibiótico. Quando dizem «Kampé», é um convite, ou melhor, uma ordem para beber. O anfitrião é o primeiro a comer e a dar sinal de levantar.
Deve tentar comer com pauzinhos, mesmo que haja garfos na mesa. Mas coloque-os sempre em cima do apoio que está ao lado do prato: espetá-los no arroz ou colocá-los paralelos em cima da tigela dá azar.
Sirva-se das toalhas húmidas que lhe oferecerem para limpar as mãos e a cara, mas não peça guardanapos se não estiverem na mesa.
10. Não quebrar tabus nem superstições
Os chineses são muito supersticiosos e seguem rigorosamente as leis do «feng shui» ou da astrologia antes de tomarem qualquer decisão. Evite criticar ou mostrar um ar de descrédito se lhe explicarem que o dia que escolheu para a reunião não é de bom augúrio ou que tem de colocar uma fonte com água a correr na entrada do seu novo escritório.
Se lhe oferecerem um presente e não tiver nada para retribuir, não deve aceitar para não fazer perder a face. A troca de pequenas ofertas faz parte do processo de “guan xi”. O anfitrião começa por dar um presente ao convidado, grato pela aceitação do convite. Agradeça o presente, mas não desembrulhe. Retribua entregando os seus presentes (sendo o maior para chefe ou anfitrião), todos embrulhados em papel dourado, cor da prosperidade, ou encarnado, cor da alegria. O azul-cobalto e o branco são as cores associadas ao luto e aos cemitérios, devendo ser evitadas, mesmo em embrulhos.
Também deve ser evitado o oferecimento de chapéus ou bonés de cor verde, pois significa ”marido traído”. As cores na China têm um código simbólico muito complicado e mais vale optar sempre pelo encarnado e dourado, que são cores muito apreciadas.
Nunca deve dar flores em número par nem usar crisântemos na decoração. E nunca deve dar quatro objectos, sejam eles flores ou livros. O ideograma que representa a palavra quatro (“shi”) é igual ao que representa a palavra morte. O número 8, em contrapartida, é muito recomendado pois sugere prosperidade e evoca o infinito. Os números múltiplos de cinco também são recomendados.
Nunca ofereça relógios de parede ou de mesa. Em chinês, “oferecer um relógio”, mesmo que seja um utilíssimo despertador, significa “assistir um parente moribundo”.
Se o símbolo da sua companhia for uma cegonha mais vale não o colocar no cartão de visita: no ocidente a cegonha está associada aos nascimentos, mas no oriente está associada à morte.
___________
Para sintetizar aquilo que disse sobre o encontro da cultura ocidental com a cultura oriental, termino com dois provérbios. Os portugueses, que não desistem à primeira dificuldade, dizem que “água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”. Ao que os chineses respondem, com ar seráfico, que “ser pedra à fácil, difícil é ser vidro”…
Espero que os desafios da multiculturalidade colocados pela globalização em que vivemos não nos impeçam de ultrapassar as diferenças e que este congresso nos ajude a trilhar as novas rotas de um cerimonial que procura adaptar-se aos novos tempos não ignorando crenças, convicções e costumes alheios.
XII CONCEP – Natal-RN- Brasil
26-28 de Outubro de 2005

Por: Isabel Amaral

Presidente da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo

A atenção crescente que se vem prestando ao valor das relações humanas, dos seus requisitos, manifestações e rituais levou a um interesse ainda maior pelas questões do protocolo, traduzido no número crescente de empresas que recorrem à consultoria nesta área antes de lançarem os seus quadros num novo mercado.

Cada mercado tem as suas leis e tentar entrar num mercado diferente sem conhecer as regras do jogo é o mesmo que decidir sentar-se a uma mesa de “bridge” pensando que o jogo não deve ser muito diferente da “canasta”. Ora a diferença é abissal. Ignorá-la é abrir a porta a humilhações e derrotas que podem, e devem, ser evitadas»

«A cultura permite organizar a actividade do grupo e, sobretudo, permite prever o comportamento de vários elementos do grupo. Conhecendo as regras do jogo é mais fácil as pessoas desse grupo relacionarem-se entre si e viver em harmonia e segurança. Como a cultura de um grupo inclui um sistema de valores e esse sistema contém sempre uma imagem da sua própria excelência, as interferências mais difíceis de eliminar são, de facto, as sociais ou culturais.

Quando se ultrapassam as fronteiras do grupo, quando se tenta estabelecer uma comunicação inter-cultural, as crenças são desafiadas. Confrontados com um sistema de valores diferente, os elementos do grupo ficam desnorteados e sentem-se ameaçados.»

Lidar com visitantes que têm hábitos e culturas muito diferentes das nossas não é, por isso, tarefa fácil. Ainda que nos tenham assegurado que a globalização ia transformar o vasto mundo numa pequena aldeia, persistem distâncias, diferenças e dificuldades que é preciso ultrapassar para se obterem os resultados desejados.

Um dos problemas é o da língua. O chinês é uma língua extremamente difícil. Apesar de haver uma língua escrita, que todos conseguem ler, em cada região se lê de maneira diferente e nem os chineses se entendem a falar entre si. Claro que a comunicação é sempre possível entre pessoas que falam línguas diferentes, por intermédio de um intérprete. Mas na China nunca saberá se o que disse foi bem traduzido.

Para além da língua, há outros problemas – problemas culturais – que persistem mesmo se as fronteiras entre os países são cada vez mais ténues. Cada povo tem a sua maneira de ser, o seu modo de vida, os seus usos e costumes, os seus valores e as suas convicções, a sua identidade cultural. E essa identidade condiciona sempre a comunicação entre pessoas oriundas de países muito diferentes.

«É óbvio que não é com algumas linhas sobre diferenças culturais que se fica a conhecer determinada realidade com profundidade e correcção. É impossível conhecer plenamente uma cultura através da mera memorização do código de valores predominante. E, mesmo que fosse possível enumerar todos os tabus e todas as regras de conduta de um país, não haveria ainda assim um conhecimento pleno desse país. Toda a gente sabe que não é apenas decorando dicionários e gramáticas que se aprende a falar bem uma língua estrangeira.»

Mas o conhecimento e, sobretudo, o respeito das diferenças, que separam povos e nações, culturas e continentes, ajudam a garantir o sucesso da organização de actos multiculturais. Estes são os dez erros a evitar quando lidar com entidades chinesas:

1. Nunca perder a face

2. Não criticar ninguém

3. Não ter pressa nem mostrar impaciência

4. Não fazer gafes

5. Não elogiar em excesso

6. Não usar linguagem corporal errada

7. Não invadir a bolha de privacidade

8. Não se engane na fórmula de tratamento

9. Não ignorar a etiqueta à mesa

10. Não quebrar tabus nem superstições

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1. Nunca perder a face

A característica mais importante da cultura chinesa é a preocupação confucionista de «não perder a face». (mianzi). Quem perde a face (ou a imagem positiva de si próprio) está perdido. Mas quem fez perder a face a um asiático também não fica melhor. Nunca critique nem ponha em causa ninguém em público.

As perguntas devem ser formuladas cuidadosamente: «sim, não ou não sabe?». Os chineses não gostam de dizer que não para não perderem a face nem o fazerem a si perder a face. Se lhe responderem duas vezes que «é inconveniente», mais vale não insistir…

Revelar desconhecimento é uma vergonha. Para não «perder a face», nenhum chinês confessará, por exemplo, que não percebe o que lhe está a dizer. Não pergunte ao taxista se sabe onde é o sítio X. Ele acenará com a cabeça e leva-o para onde calhar. Mais vale pedir no hotel para lhe escreverem a direcção do seu encontro numa folha de papel.

Em contrapartida, pode pedir desculpa se se enganar. Na China, um pedido de desculpas por um engano não é uma admissão de culpa e não faz perder a face: é considerado uma virtude ser o primeiro a fazê-lo, a fim de amenizar qualquer situação desagradável. A humildade, sinceridade e a cortesia são valores muito apreciados pelos chineses.

Em resumo, guardar a face e nunca fazer perder a face dos seus interlocutores é a regra de ouro. Fazer perder a face de alguém em frente do grupo, seja criticando, seja desrespeitando, seja insultando, é um erro lamentável e que impedirá a cooperação a partir desse momento. Mas, se pelo contrário, valorizar alguém à frente dos superiores isso será muito positivo. Na China, dá prestigio contribuir para o prestígio dos outros.

2. Não criticar ninguém

Uma das maiores dificuldades da comunicação inter-cultural é que todas as culturas se acham superiores às outras. Por isso é tão difícil para quem se encontra inserido num sistema de valores ocidentais perceber um sistema de valores orientais: «para quê perder tanto tempo?» Ou: «para que são necessários tantas vénias?». Mesmo questionando os valores das outras culturas, ninguém deve menosprezar o facto de que a cultura tem uma influência profunda na comunicação com chineses.

É importante perceber que o continente asiático é muito influenciado pelo confucionismo, enquanto no Ocidente prevalece o humanismo. Ou seja, os ocidentais são mais individualistas e os orientais mais colectivistas. Esta filosofia de vida influencia qualquer negociação: o que interessa é o bem do grupo ou da organização.

Na China não se tomam decisões durante as negociações mas apenas em círculo fechado. Quem intervém durante a negociação não é a mesma pessoa que toma a decisão final e que assistiu à troca de argumentos com ar impenetrável, acenando a cabeça como se concordasse com tudo e o seu contrário. Na condução das negociações, os asiáticos são vagos, subtis e ambíguos por oposição à maioria dos ocidentais, habituados a um estilo mais directo, inequívoco e preciso.

Em O Mandarim de Eça de Queiroz, Teodoro descrevia de forma caricatural os chineses: «Amor dos cerimoniais meticulosos, o respeito burocrático das fórmulas, uma ponta de cepticismo letrado e também um abjecto terror do imperador, o ódio ao estrangeiro, o culto dos antepassados, o fanatismo da tradição, o gosto das coisas açucaradas». Na China, os rituais, a etiqueta e o protocolo continuam a ser fundamentais enquanto que noutras paragens, mais a ocidente, são considerados coisas do passado.

Não critique nada nem ninguém. Mais vale mudar de assunto quando não concordar e nunca deve irritar-se com demoras ou imprecisões. Por outro lado, criticar em público um elemento da sua equipa ou dizer mal do seu país também é muito mal visto. Quando um elemento do grupo cai em desgraça arrasta todo o grupo com ele. Trata-se mais uma vez da busca confucionista da harmonia e da necessidade de não fazer perder a face a ninguém.

Se lhe desapareceu qualquer coisa, nunca acuse ninguém nem diga que foi roubado. Mas, se se mostrar contristado e disser que não consegue encontrar o seu telemóvel, ou um objecto que herdou dos seus antepassados, ele talvez volte a aparecer…

3. Não ter pressa nem mostrar impaciência

Para o norte americanos, “tempo é dinheiro”. Para os chineses, “tempo é tempo” e “dinheiro é dinheiro”. Na China acredita-se que a paciência é sinónimo de um carácter forte, sendo um valor acrescentado em qualquer negócio. Ninguém vai direito ao assunto, antes de muitos acenos, rodeios, formalidades e evasivas. Os chineses cultivam os silêncios e as pausas enquanto ponderam.

Os chineses dizem que os ocidentais estão sempre cheios de pressa e que preferem levar o contrato já assinado, mesmo que essa assinatura aconteça em cima do momento da partida, sem que tenha havido tempo para rever todos os pormenores. Por serem negociadores astutos e perseverantes, prolongam as negociações ao máximo e controlam o tempo e o rimo ao longo de todo o processo.

Os chineses podem até assinar o contrato, mas é depois da assinatura que começam as verdadeiras negociações. Assinar um contrato para um chinês significa apenas que estabeleceu um relacionamento pessoal (guan xi) com o outro signatário e que, a partir desse momento, ambos podem pedir e esperar receber favores um do outro. Quando se consegue estabelecer este relacionamento pessoal, não se deve mudar de interlocutor. Se o fizer, a relação comercial começa do zero.

“Guanxi” é uma expressão fundamental, que designa a complexa rede de relações indispensáveis ao funcionamento social, político e organizacional na China. No relacionamento com chineses há como que uma conta corrente que deve estar sempre equilibrada. Se lhe dão um presente, deve retribuir; se o convidam, deve fazer o mesmo. Se pedir um favor, vai contrair uma obrigação.

Não tente queimar etapas e apresentar-se directamente a um chinês. É preferível ser apresentado por um conhecimento comum. Para um chinês o conhecimento pessoal, a ética e a confiança são fundamentais.

4. Não fazer gafes

As comparações são sempre de evitar. Mas confundir a cultura chinesa com a japonesa é uma gafe imperdoável. Os chineses orgulham-se de ser a civilização mais antiga do mundo, com mais de quatro mil anos de história. Consideram que as grandes invenções são feitas por chineses e que os japoneses se limitam a introduzir alterações mas não conseguem inventar nada. E, de facto, foram os chineses que inventaram a pólvora (além do papel, do compasso, da bússola, da impressão de livros, etc.).

Em relação aos rituais, convém informar-se antes do que deve ou não deve ser feito para granjear a boa vontade dos seus interlocutores. O protocolo de qualquer negociação é muito rígido: a delegação visitante deve entrar a sala precedida pelo chefe da delegação. Este deve começar por cumprimentar na sala o líder ou a pessoa mais velha. A cultura chinesa trata com deferência as pessoas mais velhas e por isso a fila para os cumprimentos, mesmo que se trate apenas de uma reunião de negócios, é sempre alinhada a partir do líder ou da pessoa mais velha até aos mais novos. O chefe da delegação costuma ficar sentado no topo da mesa virado para a porta.

As negociações são longas e precedidas de muito chá e simpatia. Deve esperar que o seu anfitrião o interrogue sobre o que quer falar antes de entrar no assunto. As mulheres estão plenamente emancipadas e, ao contrário do que sucede no Japão, as suas opiniões são tidas em conta. Muitas ocupam cargos de decisão, sendo tratadas de acordo com a sua posição hierárquica.

Se levar uma equipa para as negociações (e deve fazê-lo para não ficar em desvantagem), tenha a preocupação de hierarquizar os seus membros, para facilitar a colocação à mesa. Se forem todos do mesmo nível, o critério será a idade. Os membros da sua delegação devem ter o mesmo estatuto hierárquico da delegação chinesa. E é preferível haver um porta-voz, para que nenhum membro da delegação contradiga o que outro já disse.

5. Não elogiar em excesso

A humildade e a modéstia são virtudes muito apreciadas pelos chineses, que reagem mal quando os elogiamos. Aceite com humildade os elogios, se os fizerem, dizendo sempre que não é merecedor e não elogie nenhuma parte do corpo de um chinês.

Ao entregar a sua oferta deve sempre pedir desculpa pela modéstia da mesma, que não é digna da pessoa que a vai receber. É tradicional, na cultura chinesa, pedir desculpa pela modéstia da oferta mesmo que esta seja magnífica. Uma médica chinesa a trabalhar em Portugal convidou uns amigos para jantar. Quando os convidados chegaram, ela desfez-se em desculpas por não ter grande coisa para lhes oferecer. Eles acharam que deviam desdramatizar e ofereceram-se para a levar a jantar fora. O quiproquó só se desfez quando passaram para a sala de jantar e viram o “banquete”, que ela passara a tarde a preparar.

6. Não usar linguagem corporal errada

Os chineses dizem que os ocidentais são muito superficiais, porque acreditam naquilo que os outros dizem. Mais importante do que aquilo que se diz para os chineses é a forma como se diz. E também aquilo que não se diz.

Mesmo que haja um intérprete, não deve falar a olhar para o intérprete, mas para o chefe da delegação chinesa. Não o ignore, mesmo que ele não perceba uma palavra de português, fale na direcção dele e olhe para ele discretamente, enquanto o intérprete traduz.

Esteja muito atento à linguagem corporal e saiba que, se o seu interlocutor abanar a cabeça enquanto o ouve, isso significa apenas que ele o está a ouvir. Os chineses cultivam o silêncio e a arte de «mascar sementes de girassol», ou seja, ter tempo para ponderar, meditar e compreender antes de tomar qualquer decisão.

Não basta por isso ter cuidado com o que se diz – mas também com o que se faz. Na maior parte dos países apontar com um dedo ou andar com as mãos nos bolsos é sinal de má educação. Mas na China, além destes gestos, também se deve evitar tocar no braço do interlocutor.

Por outro lado, tudo o que se ouviu dizer, a ocidente, sobre a importância de manter o contacto visual, deve ser esquecido. Na China nunca deve olhar fixamente para os olhos da pessoa com quem se fala. A menos que o propósito seja embaraçá-la. O sorriso naquelas paragens não é sinal de alegria ou simpatia, mas de constrangimento. E olhar fixamente para os olhos do seu interlocutor pode ser interpretado como um confronto hostil.

Nunca se irrite nem levante a voz. As confrontações são de evitar, o objectivo a atingir é sempre o consenso e a harmonia. Se tiver de transmitir más noticia use um intermediário. A harmonia é um valor a preservar em todas as circunstâncias.

7. Não invadir a bolha de privacidade

A antiga etiqueta chinesa proibia qualquer contacto físico e os chineses continuam a cultivar a distância física. Hoje dão apertos de mão aos estrangeiros mas apenas ao serem-lhe apresentados. O aperto de mão não é enérgico mas leve e mais prolongado do que o ocidental. Apertam a mão e inclinam a cabeça ao mesmo tempo. E entre eles continuam a utilizar o “kow tow”, as três vénias. A vénia é uma demonstração de respeito pela pessoa que cumprimenta.

A demonstração pública de afecto entre pessoas de sexo diferente ainda continua a ser rara. Evite abraços, palmadas nas costas e grandes efusões de alegria. Mantenha a distância e evite tocar no braço do seu interlocutor mesmo quando lhe tem de indicar o caminho.

8. Não se engane na fórmula de tratamento

A língua oficial é o chinês, baseado no dialecto mandarim. Mas muitos chineses falam outros dialectos, como o cantonês. È aconselhável aprender algumas expressões mas tenha cuidado ao utilizá-las. Há uma forma de dizer« bom dia» conforme se dirige a um superior ou um inferior hierárquico, uma pessoa mais velha ou mais nova, etc. Além disso na língua chinesa não existem tempos de verbos e é preciso ter cuidado com as traduções. É necessário juntar expressões como “agora”, “amanhã” ou “ontem” ao verbo “comprar”, por exemplo, para se perceber se ”está a pensar comprar” “comprou”, “vai comprar” ou “está a comprar”. Use um tradutor qualificado: cada palavra chinesa pode ter muitos significados dependendo do tom em que é dita.

Os chineses apreciam muito os títulos (Director, Engenheiro, Presidente, etc.) seguidos do sobrenome. Apesar da China ser um regime comunista, não deve tratar ninguém por Camarada, a não ser que pertença ao Partido Comunista. Os chineses tratam-se pelo sobrenome e nunca pelo nome próprio ou alcunha. Só os amigos íntimos e familiares é que se tratam pelo nome próprio.

Os sobrenomes chineses vêm à frente do nome, diferenciando-se de Portugal e do Brasil, onde o sobrenome vem após o nome. Mais um reflexo da cultura colectivista chinesa: o nome de família é mais importante do que o nome individual e por isso aparece primeiro. Muitas vezes há um nome geracional que pode aparecer ligado por um hífen ao nome próprio ou separadamente Li (sobrenome) Huang (geracional) Fung (nome próprio) ou Li Huang-fung. Li é o sobrenome mais comum na China e significa «ameixieira».

Ao falar com uma pessoa mais velha, é sinal de respeito anteceder o apelido de «lao» (velho). O respeito pelos mais velhos faz com que a idade seja mais importante do que a hierarquia ou o sexo: apresenta-se sempre a pessoa mais nova à mais velha, seja homem ou mulher. Numa auto-apresentação, a iniciativa deve partir do mais importante. Deve indicar, além do nome, o cargo, título académico, etc.

Leve muitos cartões de visita, se possível escritos nas duas línguas. É um instrumento de trabalho indispensável. Não abrevie nada e inclua o seu cargo ou posição dentro da empresa. Se o logótipo da sua empresa for dourado, isso será muito apreciado por ser sinal de prestígio.

O cartão será observado com toda a atenção, visto tratar-se de um país onde se cultiva a hierarquia. Entrega-se segurando com as duas mãos e virado de modo a que o seu interlocutor possa ler o seu nome (de preferência escrito em mandarim ou cantonês). Se o seu interlocutor lhe entregar o cartão de visita dele, observe-o atentamente, pois ele representa a pessoa que está na sua frente, e coloque-o em cima da mesa em local visível para futura referência e nunca no bolso. Para um ocidental, o cartão é apenas um papel, mas para um chinês é um documento importante.

9. Não ignorar a etiqueta à mesa

É muito importante ser pontual: a pontualidade representa o respeito pelo compromisso assumido. Desmarcar em cima da hora é falta de respeito em qualquer lado, mas, na China, é uma ofensa gravíssima.

O convite para um jantar deve ser repetido três vezes até ser aceite. Não é costume convidar para casa e sim para restaurantes e deve retribuir convidando para o restaurante do seu hotel. O anfitrião chinês senta-se junto da porta para dar ordens aos empregados e cede a presidência ao convidado de honra, que fica sentado no topo da mesa, virado de frente para a porta. Ao chegar junto da porta não deve passar automaticamente à frente do seu anfitrião mesmo que ele lhe faça sinal para passar. É de bom tom recusar três vezes a passagem e depois fazê-lo, agradecendo.

Em caso de dúvida, mais vale perguntar. Não se guie pelo instinto. Aquilo que é considerado boas maneiras num país pode ser ofensivo no país vizinho. Em relação ao comportamento à mesa, por exemplo, há gestos, ruídos, atitudes que os ocidentais teriam dificuldade em aceitar mas que são comuns na China.

Não peça água, pois é considerado um insulto não beber vinho. Se for abstémio, mais vale dizer que está proibido pelo seu médico de tocar numa gota de álcool ou que está a tomar antibiótico. Quando dizem «Kampé», é um convite, ou melhor, uma ordem para beber. O anfitrião é o primeiro a comer e a dar sinal de levantar.

Deve tentar comer com pauzinhos, mesmo que haja garfos na mesa. Mas coloque-os sempre em cima do apoio que está ao lado do prato: espetá-los no arroz ou colocá-los paralelos em cima da tigela dá azar.

Sirva-se das toalhas húmidas que lhe oferecerem para limpar as mãos e a cara, mas não peça guardanapos se não estiverem na mesa.

10. Não quebrar tabus nem superstições

Os chineses são muito supersticiosos e seguem rigorosamente as leis do «feng shui» ou da astrologia antes de tomarem qualquer decisão. Evite criticar ou mostrar um ar de descrédito se lhe explicarem que o dia que escolheu para a reunião não é de bom augúrio ou que tem de colocar uma fonte com água a correr na entrada do seu novo escritório.

Se lhe oferecerem um presente e não tiver nada para retribuir, não deve aceitar para não fazer perder a face. A troca de pequenas ofertas faz parte do processo de “guan xi”. O anfitrião começa por dar um presente ao convidado, grato pela aceitação do convite. Agradeça o presente, mas não desembrulhe. Retribua entregando os seus presentes (sendo o maior para chefe ou anfitrião), todos embrulhados em papel dourado, cor da prosperidade, ou encarnado, cor da alegria. O azul-cobalto e o branco são as cores associadas ao luto e aos cemitérios, devendo ser evitadas, mesmo em embrulhos.

Também deve ser evitado o oferecimento de chapéus ou bonés de cor verde, pois significa ”marido traído”. As cores na China têm um código simbólico muito complicado e mais vale optar sempre pelo encarnado e dourado, que são cores muito apreciadas.

Nunca deve dar flores em número par nem usar crisântemos na decoração. E nunca deve dar quatro objectos, sejam eles flores ou livros. O ideograma que representa a palavra quatro (“shi”) é igual ao que representa a palavra morte. O número 8, em contrapartida, é muito recomendado pois sugere prosperidade e evoca o infinito. Os números múltiplos de cinco também são recomendados.

Nunca ofereça relógios de parede ou de mesa. Em chinês, “oferecer um relógio”, mesmo que seja um utilíssimo despertador, significa “assistir um parente moribundo”.

Se o símbolo da sua companhia for uma cegonha mais vale não o colocar no cartão de visita: no ocidente a cegonha está associada aos nascimentos, mas no oriente está associada à morte.

___________

Para sintetizar aquilo que disse sobre o encontro da cultura ocidental com a cultura oriental, termino com dois provérbios. Os portugueses, que não desistem à primeira dificuldade, dizem que “água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”. Ao que os chineses respondem, com ar seráfico, que “ser pedra à fácil, difícil é ser vidro”…

Espero que os desafios da multiculturalidade colocados pela globalização em que vivemos não nos impeçam de ultrapassar as diferenças e que este congresso nos ajude a trilhar as novas rotas de um cerimonial que procura adaptar-se aos novos tempos não ignorando crenças, convicções e costumes alheios.

XII CONCEP – Natal-RN- Brasil

26-28 de Outubro de 2005